| Por: Alfredo Risk Adalberto Luque |
A Polícia Civil realizou, na manhã desta quinta-feira (9) a Operação Arara Caipira, contra um grupo que fazia compras fraudulentas em nome de empresas reais de médio e grande porte do setor agrícola e desviavam os produtos.
A base da organização criminosa fica na município de Ribeirão Preto. As investigações começaram após o registro de uma das empresas vítimas do golpe. O caso passou a ser investigado pela 3ª Delegacia de Investigações do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC).
O golpe é bem sofisticado. A quadrilha acessava dados cadastrais de empresas de médio e grande porte do setor agropecuário. As duas vítimas já identificadas são de Ribeirão Preto.
Com as informações, criavam e-mails fraudulentos no domínio da empresa vítima, além de perfis em aplicativos de mensagem, para dar um ar legal na transação. Depois realizava compras de produtos ligados à atividade fim da empresa fraudada.
Compraram aparelhos de ar condicionado, equipamentos de informática e até tratores. Negociavam o vencimento com boletos para 30 e até 60 dias. Neste período, de acordo com o delegado Fernando Davi de Melo Gonçalves, do DEIC da Capital, continuavam comprando os produtos.
de acordo com o delegado Fernando Gonçalves, da Capital, prejuízo chega a R$ 2 milhões, mas pode ser maior se tiver mais empresas vítimas do golpe (Foto: Alfredo Risk)
Eles programavam a entrega em locais específicos e depois resgatavam os produtos, retirando-os de lá. Quando o boleto vencia e não era pago, o fornecedor entrava em contato para cobrar as empresas reais usadas para o golpe, que acabavam tendo problemas com as dívidas contraídas de forma fraudulenta e protestos em cartório.
As investigações apuraram que um grupo muito bem estruturado fazia as operações fraudulentas. Nesta quinta-feira, os agentes de São Paulo, com apoio de policiais civis de Ribeirão Preto, cumpriram nove mandados de busca e apreensão, sendo sete em Ribeirão Preto e dois em Limeira.
“A partir da chegada dos dados sigilosos, outras apurações/pesquisas e análises técnicas mostraram que os acessos aos sistemas digitais utilizados no golpe e o uso do telefone ocorreram majoritariamente na região de Ribeirão Preto, utilizando múltiplas regiões para dificultar o rastreamento”, explicou o delegado. Com a quebra do sigilo telemático autorizada pela Justiça, foi possível identificar a fraude.
Um dos casos apurados envolveu uma empresa do setor de informática, que vendeu equipamentos após negociações com pessoas que se apresentaram como funcionários da empresa real, com e-mails no domínio aparentemente verdadeiro e perfis no aplicativo de mensagens. Depois que os produtos foram entregues e os boletos venceram, veio o silêncio dos compradores.
O principal investigado não foi localizado em sua residência, uma casa em condomínio de alto padrão na zona Sul de Ribeirão Preto. Ele estava no exterior e deve ser interrogado assim que regressar ao Brasil. “Recebemos informações extraoficiais de que o suspeito de liderar o esquema criminoso está foragido na China”, acrescentou Gonçalves. A esposa do investigado foi levada à sede da Divisão Especializada de Investigações Criminais (DEIC) de Ribeirão Preto, onde prestou depoimento.
A Polícia Civil conseguiu o bloqueio de quatro veículos em nome de envolvidos, avaliados em meio milhão de reais. “Grupo sofisticado e estruturado. Deve ter dado esse golpe diversas vezes, entendemos que esse golpe é meio de vida”, informou o Gonçalves.
Equipe JK. O prejuízo deve chegar a R$ 2 milhões. Mas o delegado acredita que tenha outras empresas que possam ter sido usadas. Até então, as empresas vítimas são da região de Ribeirão Preto. Não foram divulgados nomes e locais dessas empresas.
Foram apreendidos celulares, computadores, roteador de internet, documentos e os veículos já bloqueados. Ninguém foi preso durante a operação, mas quatro pessoas em Ribeirão Preto e duas em Limeira foram levadas para a delegacia e prestaram depoimento. O delegado não descarta pedir a prisão temporária do principal suspeito. Os envolvidos podem responder pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e associação criminosa, que pode evoluir para organização criminosa, dependendo do número de envolvidos com o golpe.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *