Por Equipe JK

Depois de uma segunda temporada que dividiu opiniões, A Casa do Dragão retorna mais forte, mais confiante e finalmente pronta para entregar a guerra que vinha sendo prometida desde o início da série.

Os primeiros episódios da terceira temporada mostram uma produção que aprendeu com seus erros e encontra um equilíbrio melhor entre política, espetáculo e desenvolvimento de personagens.

Ainda existem alguns problemas de ritmo e escolhas questionáveis, mas o saldo é amplamente positivo. Pela primeira vez desde a estreia, a série parece ter clareza sobre o que deseja contar e sobre quem seus personagens realmente são.

A queda dos heróis

A maior qualidade da nova temporada é abandonar de vez a ideia de que existe um lado certo na Dança dos Dragões.

Durante muito tempo, Rhaenyra foi retratada como a vítima da história. Cercada por traições, perdas e preconceitos, a personagem sempre ocupou uma posição mais fácil de defender. Agora isso muda.

Emma D’Arcy entrega sua atuação mais complexa até aqui ao mostrar uma rainha consumida pelo luto e pelo peso da guerra. Rhaenyra continua sendo alguém que deseja fazer o que acredita ser correto, mas a busca pelo poder começa a revelar um lado mais sombrio da personagem.

A Casa do Dragão também passa a explorar um tema cada vez mais importante: o fanatismo religioso. Aos poucos, Rhaenyra começa a acreditar que foi escolhida pelos deuses para governar, uma ideia perigosa que transforma sua jornada em algo muito mais interessante do que uma simples disputa pelo trono.

Enquanto isso, Alicent segue o caminho oposto. Olivia Cooke continua excelente, mas recebe menos material para trabalhar. A personagem perde parte da força que a transformou em uma das figuras mais fascinantes das primeiras temporadas e acaba ficando em segundo plano durante boa parte dos episódios.

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Novos jogadores mudam o tabuleiro

A principal novidade da temporada é Ormund Hightower, interpretado . O personagem rapidamente assume uma posição de destaque entre os Verdes e se torna uma das presenças mais marcantes dos novos episódios. Ambicioso, carismático e imprevisível, ele preenche um vazio que vinha sendo sentido desde a redução da participação de alguns personagens centrais.

Sua relação com Daeron também acrescenta uma dinâmica inédita à série e ajuda a expandir um lado da família Hightower que ainda não havia sido explorado adequadamente.

Outro acerto está na forma como a trama amplia seus cenários. A jornada de Aegon e Larys mostra partes diferentes de Westeros e ajuda a evitar a sensação de repetição que afetou parte da temporada anterior.

As batalhas também ganham mais importância. O destaque fica para a aguardada Batalha da Goela, um dos momentos mais impressionantes visualmente já produzidos pela série.

Problemas de ritmo

Nem tudo funciona tão bem. A Casa do Dragão continua apresentando dificuldades com seu ritmo. Se a segunda temporada foi criticada por demorar demais para avançar a história, a terceira parece cometer o erro oposto em alguns momentos, acelerando acontecimentos importantes.

Algumas relações surgem de forma abrupta, enquanto certas transições narrativas parecem apressadas demais para uma história que sempre se destacou pela construção cuidadosa de seus conflitos.

Visualmente, a série também apresenta um contraste curioso. Embora as sequências envolvendo dragões sejam espetaculares, algumas cenas externas possuem uma fotografia excessivamente apagada, que diminui o impacto de determinados cenários.

Ainda assim, a trilha sonora de Ramin Djawadi continua impecável e ajuda a sustentar a atmosfera dramática da produção.

No fim, a terceira temporada mostra uma série que finalmente encontrou uma direção clara. Ao abandonar a divisão simplista entre heróis e vilões e aprofundar os efeitos da guerra sobre seus personagens, A Casa do Dragão volta a entregar o tipo de drama político e familiar que transformou o universo de Game of Thrones em um fenômeno mundial.

Resta saber se conseguirá manter esse nível até o final da temporada. Mas, pelos primeiros episódios, os sinais são extremamente positivos.

A Casa do Dragão retorna em 21 de junho, às 22h, na HBO e HBO Max, e tem novos episódios lançados aos domingos.

Nota: 4,5 de 5 estrelas

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