Entenda por que o cigarro eletrônico não ajuda a parar de fumar e quais riscos o vape pode trazer para a saúde
Apesar do visual moderno, dos sabores variados e da fama de ser menos nocivo, o cigarro eletrônico está longe de ser uma alternativa segura.
Neste artigo, você vai entender o que é o cigarro eletrônico, por que ele não deve ser visto como método para parar de fumar, quais são os principais riscos para a saúde e quais caminhos realmente ajudam quem deseja abandonar o vício.
O que é o cigarro eletrônico?
O cigarro eletrônico é um dispositivo eletrônico para fumar (DEF) que aquece um líquido interno e libera uma névoa que é inalada por quem usa. Diferente da versão de papel, que queima por combustão, o modelo funciona à base de vaporização. Eles são conhecidos por diferentes nomes como:
- Vape
- Pod
- Vaporizador
- Cigarro eletrônico descartável
- e-cigarette
- e-ciggy
- e-pipe
- e-cigar
- heat not burn (tabaco aquecido)
Em geral, o aparelho tem 3 partes principais: bateria, peça de aquecimento e reservatório para o líquido. Quando a pessoa traga, o líquido é aquecido e transformado em uma névoa que chega aos pulmões. Por isso, o termo vapor é enganoso. Diferente do que muitas pessoas imaginam, não se trata apenas de vapor de água, na verdade, o que é inalado é um aerossol, uma mistura de partículas pequenas que pode carregar substâncias tóxicas.
Mesmo sem cheiro forte e sem a fumaça visível do cigarro tradicional, o vape expõe o corpo a compostos prejudiciais. A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS) alerta que esses aerossóis contêm nicotina e outras substâncias prejudiciais, oferecendo risco tanto para quem usa quanto para quem está por perto. E a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já alertou que podem existir quase 2 mil substâncias no conteúdo inalado, incluindo toxinas e metais pesados.
Portanto, a aparência moderna do dispositivo não significa que ele seja seguro para a saúde.
Quais substâncias estão presentes no líquido do vape?
Segundo documento técnico da Anvisa, líquidos e aerossóis de cigarros eletrônicos podem conter nicotina, propilenoglicol, glicerol, aldeídos, metais, compostos orgânicos voláteis e outras substâncias potencialmente tóxicas. Isto é, não se trata de um vapor simples, e sim uma mistura de partículas e substâncias que entram diretamente no corpo pela respiração.
O líquido do vape pode variar conforme a marca, o modelo e a origem do produto, mas alguns componentes aparecem com frequência como:
- Nicotina: é uma substância que causa dependência. Nos modelos mais recentes, especialmente os de 4ª geração, é comum o uso dos chamados sais de nicotina que tornam a tragada mais suave e facilitam o consumo de doses maiores. O INCA alerta que esses sais podem aumentar a dependência em pouco tempo de uso.
- Propilenoglicol e a glicerina vegetal: substâncias como propilenoglicol e a glicerina vegetal são usadas para formar a névoa inalada. Embora estejam presentes em diferentes produtos do dia a dia como cosméticos, quando aquecidas podem se transformar em compostos irritantes, capazes de agredir as vias respiratórias.
- Formaldeído, acetaldeído, acroleína e benzeno: entre as substâncias tóxicas que podem aparecer no aerossol estão o formaldeído e o acetaldeído que são associados à irritação dos olhos, garganta e pulmões segundo uma nota técnica do INCA. Já a acroleína pode irritar intensamente as vias respiratórias e afetar o funcionamento dos vasos sanguíneos, enquanto o benzeno está ligado a riscos importantes para a saúde quando há exposição repetida.
- Aromatizantes: ajudam a criar sabores doces, frutados ou refrescantes, mas isso não significa que sejam seguros para inalação. O diacetil, por exemplo, é usado para dar sabor amanteigado ou adocicado e já foi associado a danos graves nos pulmões.
- Metais pesados: níquel, chumbo, estanho e cádmio podem vir do aquecimento das peças internas do aparelho e, quando inalados com frequência, representam risco para os pulmões, o coração e outros órgãos. A Anvisa cita os metais pesados entre as substâncias tóxicas associadas aos cigarros eletrônicos.
Por que o cigarro eletrônico não ajuda a parar de fumar?
Uma análise publicada na The Lancet Respiratory Medicine, em 2016, mostrou que pessoas que tentaram parar de fumar usando cigarro eletrônico tiveram 28% menos chance de sucesso em comparação com quem não usou o dispositivo.
Além disso, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia aponta falhas importantes em estudos que defendem o cigarro eletrônico como ferramenta para parar de fumar. Entre os principais problemas estão diferenças entre os estudos analisados, pouco acompanhamento dos participantes ao longo do tempo, risco de viés e possíveis conflitos de interesse.
Na prática, isso significa que parte das pesquisas compara grupos muito diferentes, acompanha os usuários por pouco tempo ou inclui estudos ligados, direta ou indiretamente, a empresas interessadas na venda desses produtos. Por isso, os resultados precisam ser interpretados com cautela.
A OMS também não reconhece o cigarro eletrônico como tratamento para deixar o tabaco, uma vez que esses produtos não têm eficácia comprovada para ajudar a acabar com o vício e há evidências crescentes de riscos à saúde.
A ideia de redução de danos precisa ser vista com cautela. Muitas vezes, esse argumento é usado pela indústria do tabaco para manter consumidores ligados à nicotina, agora por meio de dispositivos com aparência mais moderna, sabores variados e menor percepção de risco.

O que a ciência diz sobre a eficácia do vape para parar de fumar?
A relação entre vape e abandono do cigarro ainda é motivo para debate. Alguns estudos, como o citado anteriormente, indicam uma queda nas chances de sucesso em comparação com quem não usou o dispositivo. Já outros, que o cigarro eletrônico com nicotina pode ajudar uma parte dos fumantes a reduzir ou interromper o uso do cigarro comum por alguns meses.
No Brasil, o cigarro eletrônico não é aprovado como método para parar de fumar. Em 2024, a Anvisa manteve proibidas a fabricação, a venda, a importação, a divulgação e a distribuição desses dispositivos no país. A regra também reforça a proibição do uso em ambientes coletivos fechados.
Por que o vape pode agravar o vício em vez de combatê-lo?
Como o cigarro eletrônico não têm o mesmo cheiro do cigarro tradicional, e pode ser usado de forma mais discreta, algumas pessoas passam a consumir a substância mais vezes ao longo do dia.
Segundo a Associação Médica Brasileira (AMB), outro problema é o uso dual. Isso acontece quando a pessoa usa vape e cigarro convencional ao mesmo tempo. Em vez de substituir um produto pelo outro, ela mantém os 2 hábitos, aumentando a exposição à nicotina e a outras substâncias prejudiciais.
O cigarro eletrônico também pode funcionar como porta de entrada para o cigarro comum. O INCA alerta que o uso de vape aumenta em cerca de 3 vezes o risco de experimentar cigarro convencional e em 4 vezes o risco de se tornar fumante.
Dados do Instituto do Coração revelam que é difícil parar de fumar cigarro eletrônico
Há ainda um caminho comum entre usuários jovens de cigarro eletrônico, que começam com versões apresentadas como “sem nicotina” e, depois, migram para produtos com nicotina. Isso acontece porque o design, os sabores e a sensação de menor risco tornam o uso mais fácil de normalizar.
Dados da pesquisa do InCor da FMUSP também reforçam essa dificuldade, e mostram que mais de 70% dos usuários relataram ter tentado parar de usar vape sem sucesso. Isso indica que, para muitas pessoas, o cigarro eletrônico não reduz o vício, ele apenas muda a forma como a dependência aparece.
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Quais são os riscos do cigarro eletrônico para a saúde?
As consequências do uso do cigarro eletrônico vão além dos pulmões. Segundo a OPAS/OMS, os aerossóis dos vapes podem conter nicotina e outras substâncias tóxicas, com risco tanto para quem usa quanto para quem está por perto. Por isso, entender o que o cigarro eletrônico causa no corpo humano exige olhar para o efeito do uso repetido, não apenas para uma tragada isolada. E lembrar que ele não é uma alternativa inofensiva.
Danos ao sistema respiratório e o que é a EVALI
Os pulmões estão entre os órgãos mais afetados pelo cigarro eletrônico. A inalação frequente do aerossol pode irritá-los porque essas partículas entram diretamente pelas vias aéreas podendo também ocasionar tosse, falta de ar, inflamação e piorar quadros como:
- Bronquite: inflamação dos brônquios, que são os canais que levam o ar até os pulmões, podendo causar tosse, chiado e falta de ar.
- Broncopneumonia: infecção que atinge partes dos pulmões e pode causar febre, tosse, cansaço e dificuldade para respirar.
- Doença Pulmonar Crônica (DPOC): dificulta a respiração com o passar do tempo, geralmente associada à inflamação e ao dano contínuo nos pulmões
- Enfisema: condição em que os pulmões perdem parte da capacidade de trocar oxigênio, causando falta de ar e cansaço progressivo.
- Bronquiolite obliterante: doença que estreita e bloqueia pequenas vias de passagem do ar nos pulmões, dificultando a respiração.
Além disso, um dos principais alertas é a EVALI (sigla em inglês para lesão pulmonar associada ao uso de cigarro eletrônico). A doença ganhou atenção em 2019, nos Estados Unidos, após um surto de casos graves ligados ao uso de vape. Segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), foram registrados 2.807 casos hospitalizados ou mortes e 68 mortes confirmadas até fevereiro de 2020.
Os sintomas podem incluir tosse, falta de ar, dor no peito, febre e mal-estar. Em casos graves, a pessoa pode ter dificuldade intensa para respirar e precisar de internação em UTI.
No Brasil, o cenário é mais difícil de medir. A própria Anvisa reconheceu que a EVALI não era de notificação obrigatória, o que dificultou o acompanhamento dos casos. Em 2025, uma nota técnica do Ministério da Saúde, INCA e Anvisa orientou o uso do código U07.0 para registrar doenças relacionadas ao uso de cigarro eletrônico, para facilitar o monitoramento desses casos no país.
Riscos cardiovasculares associados ao vape
Segundo a American Heart Association, a nicotina é responsável pelo aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, enquanto a exposição à acroleína está associada a maior risco cardiovascular, ativação de plaquetas e alterações ligadas aos vasos sanguíneos. Essa combinação pode favorecer o estreitamento das artérias e o acúmulo de placas, aumentando assim o risco de problemas cardiovasculares.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) afirma que o uso de cigarros eletrônicos aumenta também o risco de desenvolvimento de síndrome coronariana aguda e infarto.
Além disso, também podem ocorrer alterações no ritmo do coração conhecidas como arritmias. Esse é um ponto importante porque muitos usuários jovens não associam o vape a riscos cardíacos, justamente por enxergarem o produto como algo mais leve do que o cigarro tradicional.
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Efeitos no cérebro e na saúde mental
Somado ao aumento da frequência cardíaca, a nicotina também age diretamente no cérebro gerando uma sensação rápida de prazer ou alívio, criando uma dependência. Em adolescentes e jovens adultos, o risco é ainda maior porque o cérebro segue em desenvolvimento até os 25 anos.
Esse impacto pode afetar áreas ligadas à atenção, ao aprendizado, ao humor e ao controle de impulsos. Ou seja, não é apenas uma questão de fumar ou não, o uso frequente pode interferir na forma como a pessoa lida com foco, ansiedade e emoções.
A pesquisa do InCor sobre cigarros eletrônicos mostrou que 31% dos jovens usuários relataram ansiedade e depressão. Entre aqueles com concentração muito elevada de nicotina, acima de 400 mg/ml, a associação com ansiedade chegou a cerca de 41%.
O ciclo funciona assim: a pessoa usa o vape para relaxar ou aliviar a ansiedade, mas quando o efeito da nicotina passa, o corpo sente falta. O que pode aumentar irritação, inquietação e vontade de usar novamente, reforçando assim a dependência.
Impactos na saúde bucal
A saúde bucal também pode ser afetada pelo cigarro eletrônico. O vape pode reduzir a produção de saliva, deixando a boca mais seca. Com menos saliva, a proteção natural da boca diminui, o que favorece bactérias, mau hálito, cáries e inflamações na gengiva. Sem contar que cigarros eletrônicos aumentam o maior risco de gengivite e periodontite.
Um estudo divulgado pela American Society For Microbiology (ASM) também associa o uso de vape a alterações na microbiota oral (conjunto de microrganismos que vivem naturalmente na boca). Quando esse equilíbrio muda, a chance de inflamações aumenta.
Outro ponto de atenção são os aromatizantes. Sabores doces e frutados tornam o produto mais atraente, mas podem contribuir para alterações na boca e irritações. Além disso, a boca seca pode favorecer infecções como a candidíase oral.
Por isso, as doenças que o cigarro eletrônico pode causar ou favorecer não se limitam ao pulmão. O uso frequente envolve um conjunto de riscos que passa pela respiração, pelo coração, pelo cérebro e até pela saúde da boca.
Vape entre jovens: por que o consumo está crescendo?
O produto combina design moderno, sabores doces, uso discreto e forte presença nas redes sociais. Essa mistura reduz a percepção de risco e faz com que muitos usuários não se enxerguem como fumantes.
Segundo estatísticas do INCA, jovens de 15 a 24 anos representam cerca de 70% dos usuários de cigarro eletrônico. Já a PeNSE 2024, do IBGE, mostrou que 29,6% dos adolescentes de 13 a 17 anos já experimentaram cigarro eletrônico, quase o dobro do percentual de 2019, que era de 16,8%.
A pesquisa do InCor mostrou que parte importante desse público tem renda e escolaridade mais altas, o que aproxima o tema de ambientes sociais onde o vape costuma circular com aparência de hábito moderno e menos nocivo.
Já uma pesquisa do Ipec, de 2023, citada pela Fiocruz, apontou que há 2,9 milhões de consumidores regulares de vape.
O alerta é ainda maior porque os danos já aparecem em idades muito baixas. A pneumologista Margareth Dalcolmo, da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, relatou em audiência pública no Senado que adolescentes de 12 ou 13 anos têm chegado aos hospitais com danos nos pulmões semelhantes aos de idosos fumantes de longa data.

Fatores de atração dos jovens por cigarros eletrônicos
- Aparelhos pequenos
- Embalagens com visual tecnológico
- Mais de 16 mil sabores citados pela OMS
- Marketing com influenciadores
- Facilidade de usar o dispositivo sem o cheiro forte do cigarro comum
Aliado a isso, ainda tem as redes sociais ajudando a normalizar o consumo, como se o cigarro eletrônico fosse apenas um acessório de estilo.
O papel do marketing e dos sabores na atração de novos usuários
Os sabores são uma das principais portas de entrada para o vape. Opções frutadas, doces, geladas ou inspiradas em sobremesas suavizam a percepção de risco e fazem o produto parecer mais leve do que realmente é.
A embalagem também pesa nessa construção. Muitos cigarros eletrônicos têm visual parecido com produtos de tecnologia, canetas coloridas ou itens de lifestyle. Combinados a campanhas nas redes sociais, conteúdos de influenciadores e imagens aspiracionais, eles deixam de parecer um produto ligado ao tabaco e passam a ser vistos como algo social, discreto e moderno.
A OMS alerta que empresas e influenciadores promovem cigarros eletrônicos para crianças e jovens nas mídias sociais e cita o uso de sabores, personagens e designs elegantes como parte dessa estratégia de atração. Por isso, o órgão recomenda que governos proíbam sabores e limitem a concentração de nicotina nos países onde esses produtos são vendidos.
Quando o consumo é visto apenas como algo social ou estético, a percepção do risco diminui, e a dependência pode avançar.
A situação legal do cigarro eletrônico no Brasil
No Brasil, a venda de cigarros eletrônicos é proibida pela Anvisa desde 2009 e essa proibição foi reforçada pela RDC nº 855/2024, que também veta fabricação, importação, divulgação, distribuição e uso em ambientes coletivos fechados. Mesmo assim, o produto segue circulando pela internet e comércio informal.
Todo cigarro eletrônico vendido ou consumido no Brasil (o que inclui vapes, pods e cigarros eletrônicos descartáveis) entra no país ou circula de forma irregular. Mesmo quando aparece em lojas, redes sociais, festas ou sites de venda, o produto não tem autorização da Anvisa para ser comercializado.
Por um lado, existe pressão da indústria do tabaco pela liberação e regulamentação dos cigarros eletrônicos. Por outro, entidades médicas como AMB, SBPT e INCA defendem a manutenção da proibição devido aos riscos à saúde, ao aumento do uso entre jovens e por não considerar uma alternativa ao cigarro tradicional e muito menos um produto seguro.
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Dependência de nicotina: por que é tão difícil largar o vape?
A nicotina age rápido no cérebro, provocando uma sensação breve de prazer ou alívio e fazendo o corpo querer repetir esse uso. Com o tempo, o cérebro passa a associar o vape a momentos de pausa, ansiedade, socialização ou recompensa.
Nos cigarros tradicionais, a nicotina costuma aparecer na forma chamada freebase (nicotina em forma mais “livre”, absorvida rapidamente, mas com sensação mais forte na garganta) enquanto muitos vapes usam sais de nicotina. A diferença é que esses sais deixam a tragada mais suave, com menos incômodo na garganta, o que facilita o consumo de doses mais altas sem que a pessoa perceba. Esse é um dos motivos pelos quais o vape pode gerar dependência intensa.
A pesquisa do InCor mostrou que usuários de cigarro eletrônico podem ter níveis de nicotina até 6 vezes maiores do que fumantes de 20 cigarros por dia. O estudo também cita que, enquanto o cigarro convencional no Brasil tem limite de 1 mg de nicotina por unidade, alguns vapes podem chegar a 57 mg por ml de líquido.
Além da parte química, a dependência também envolve comportamento e emoção. Há o vínculo psicológico, quando a pessoa usa o vape para lidar com estresse, ansiedade ou tédio. E há o hábito do gesto, do sabor, da tragada e do uso em momentos sociais.
Por isso, parar de fumar cigarro eletrônico não é uma tarefa simples, em muitos casos, é preciso quebrar 3 ciclos ao mesmo tempo: o efeito da nicotina no corpo, a associação emocional com o uso e o ritual repetido no dia a dia.
Como parar de fumar cigarro eletrônico?
A dependência de nicotina dificulta muito a vida de quem quer parar de fumar cigarro eletrônico. Por isso, o primeiro passo é buscar ajuda profissional, em vez de tentar parar sozinho. De acordo com o INCA, o SUS oferece tratamento gratuito para quem quer parar de fumar, inclusive usuários de vape. O acompanhamento pode incluir:
- Orientação comportamental
- Atendimentos individuais ou em grupo
- Medicamentos como adesivos de nicotina, gomas e bupropiona (e, quando necessário)
Esse suporte é importante porque o consumo de vape não envolve apenas a nicotina, muitas pessoas associam o uso a momentos de ansiedade, estresse, tédio, pausa no trabalho ou convivência social. Identificar esses gatilhos ajuda a substituir o hábito por respostas mais saudáveis. Por isso, o acompanhamento psicológico também pode ajudar nesse processo, principalmente quando o uso está ligado a emoções ou a uma rotina muito automática.
Mudanças simples no dia a dia, como praticar atividade física, cuidar da alimentação, dormir melhor, beber água e evitar ambientes que estimulam o uso, também funcionam como aliadas.
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Fumo passivo do vape: quem está perto também corre risco
Assim como o cigarro tradicional, o vape não afeta apenas quem usa. O aerossol exalado pelo usuário pode espalhar nicotina e outras substâncias tóxicas no ambiente, expondo também quem está por perto, especialmente crianças, gestantes e pessoas com doenças respiratórias.
Esse contato preocupa porque o organismo de crianças e gestantes é mais sensível à nicotina. Durante a gravidez, a exposição à nicotina pode afetar o desenvolvimento do bebê, aumentar o risco de baixo peso ao nascer e favorecer problemas neurológicos. Em crianças, a exposição a substâncias inaladas também pode piorar alergias e quadros respiratórios.
Os aerossóis dos cigarros eletrônicos aumentam a concentração de pequenas partículas, que ficam no ar e podem ser inaladas por outras pessoas em ambientes fechados. Então, usar vape em ambientes internos, carros, festas ou espaços com pouca ventilação não é uma escolha segura.