A presença de animais em ambientes escolares atua como ferramenta pedagógica para estimular a autorregulação, a atenção e o desenvolvimento socioemocional.
A autorregulação, definida como a capacidade de regular emoções, atenção e comportamento, tem conquistado espaço central nas discussões sobre estratégias educacionais contemporâneas. Nesse contexto, a educação assistida por animais surge como uma possibilidade relevante de apoio ao desenvolvimento acadêmico e socioemocional de crianças e adolescentes.
A presença de um animal em ambiente escolar oferece companhia, afeto e estímulos capazes de tornar o processo de aprendizagem mais prazeroso e motivador. Quando selecionados e treinados adequadamente, esses pets contribuem para a criação de um ambiente seguro, favorecendo a redução da ansiedade, o aumento da empolgação e uma melhor adaptação diante de desafios acadêmicos e comportamentais.
Contudo, os animais devem ser rigorosamente selecionados e preparados para o ambiente educacional. O uso deles em sala de aula requer uma seleção baseada em temperamento, saúde e treinamento adequado para garantir a segurança da comunidade escolar e diminuir o risco de transmissão de doenças.
Esse tipo de recurso pedagógico auxilia no ensino ao proporcionar experiências lúdicas que estimulam a interação e a comunicação verbal. A convivência com o animal tende a facilitar a realização de tarefas, além de incentivar a linguagem e a expressão de significados.
Conforme estudos da Psicologia e da Educação, as práticas de intervenção assistida por animais estão associadas a benefícios psicológicos que incluem a diminuição do estresse, a sensação de afeto e maior bem-estar, além da melhora na atenção, diminuição de comportamentos disruptivos e aumento da motivação dos alunos. O educador pode usar a presença do pet como um meio positivo para reforçar aprendizagens, propor tarefas que envolvam cuidado e observação, e valorizar o vínculo entre criança e animal.
Atividades que promovem ludicidade costumam ser altamente eficazes, a exemplo da leitura para pets, cuidados rotineiros, observação científica e jogos de linguagem. Essas ações estimulam a comunicação verbal, o estabelecimento de significados e permitem que os alunos interajam de forma positiva, tornando o aprendizado mais concreto e significativo.
Portanto, as escolas devem consultar regulamentações locais e institutos especializados, exigir vacinação, exames de saúde e registros para prevenir doenças. Além disso, é necessário obter o consentimento de pais e responsáveis, avaliar possíveis alergias e definir protocolos rígidos de higiene e manejo para tornar a presença dos animais segura no ambiente educacional.
Quando integrada de forma planejada e segura, a presença de animais na escola atua diretamente na autorregulação, na atenção, no comportamento e na aprendizagem, ampliando as possibilidades de desenvolvimento emocional, social e acadêmico dos estudantes.
(*) Luciana Brites é CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga, psicomotricista, Doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e Mestre em Distúrbios do Desenvolvimento pelo Mackenzie, palestrante e autora de livros sobre educação e transtornos de aprendizagem.