Por Equipe JK
Entre o glamour imaginário do mercado editorial e o caos muito real de imprimir, vender e sobreviver publicando livros no Brasil, existe um território fértil para histórias absurdas, tragicômicas e, segundo Marcelo Nocelli, absolutamente verdadeiras.
É justamente desse material improvável que nasce o “Stand-up Comedy Literário”, espetáculo que o fundador da Editora Reformatório apresenta neste sábado, 23 de maio, às dez horas, na Biblioteca Padre Euclides, na rua Visconde de Inhaúma nº 490, 1º andar, em Ribeirão Preto. A entrada é gratuita. Informações no telefone/WhatsApp (16) 3610-0676.
Há mais de duas décadas no mercado editorial, sendo 13 anos à frente da editora independente e dois como secretário-geral da União Brasileira de Escritores, Marcelo Nocelli coleciona episódios que parecem inventados — mas não são. Histórias de autores, gráficas, feiras literárias, lançamentos vazios, livros encalhados, bastidores editoriais e situações tão improváveis que ultrapassam a ficção.
“Dizem que quem escreve um livro, planta uma árvore e tem um filho cumpre a missão da vida. O problema é que ninguém avisa que a árvore pode virar papel de um livro que ninguém compra e que o filho talvez herde as dívidas da gráfica”, brinca Nocelli, logo no início da apresentação.
Sem personagens, figurinos ou cenários, o espetáculo aposta no chamado “humor de cara limpa”: um microfone, histórias reais e interação direta com o público.
Durante uma hora, o editor transforma os bastidores da literatura brasileira em matéria-prima para um solo de humor que mistura memórias pessoais, crítica bem-humorada ao mercado editorial e um olhar bastante humano sobre quem insiste em publicar livros em um país que lê pouco – mas rende ótimas histórias.
Mais do que um espetáculo de humor, a apresentação também funciona como um mergulho nos bastidores quase desconhecidos das editoras independentes. Ao expor o contraste entre a sofisticação atribuída ao universo literário e a precariedade cotidiana de quem trabalha nele, Marcelo desmonta mitos, humaniza a figura do editor e aproxima o público de um universo normalmente cercado por formalidades.
O “Stand-up Comedy Literário” é, ao mesmo tempo, confissão, catarse e sobrevivência emocional de quem decidiu transformar livros em profissão – e descobriu que, no Brasil, a literatura às vezes se parece muito com comédia.