Por Equipe JK

Tem uma coisa que o Brasil nunca esqueceu. Não importa quantas décadas passem, quantas copas venham e vão, quantas gerações cresçam sem ter vivido aquele verão de 1970: o tricampeonato no México permanece como uma espécie de mito fundador do futebol brasileiro.

É justamente desse mito, vivo, afetivo e carregado de significado, que a minissérie Brasil 70: A Saga do Tri se alimenta. Com 6 episódios disponíveis na Netflix, a produção não quer apenas recontar o que aconteceu, ela quer que você sinta. E para isso, possui um elenco à altura do desafio.

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Rodrigo Santoro vive João Saldanha

O nome de Rodrigo Santoro para abrir a lista não é coincidência. O ator fluminense, um dos brasileiros mais reconhecidos internacionalmente (de 300 a Westworld), assume um personagem que é, antes de qualquer coisa, uma contradição ambulante.

João Saldanha era jornalista, militante comunista e treinador de futebol ao mesmo tempo. Assumiu a Seleção em 1969, montou um time extraordinário e foi demitido meses antes da Copa, em circunstâncias que misturavam pressão política da ditadura militar com conflitos internos de vestiário.

Uma figura shakespeariana: o arquiteto que não pôde inaugurar o que construiu. Santoro, com sua presença intensa, parece um encaixe certeiro para carregar esse peso em cena.

Bruno Mazzeo vive Zagallo

Se Saldanha é a tragédia, Zagallo é o pragmatismo que vence. Mario Jorge Lobo Zagallo assumiu a seleção no lugar de Saldanha, manteve o grupo coeso e conduziu o Brasil ao tricampeonato com uma mistura de tática e intuição que até hoje é estudada.

A escolha de Bruno Mazzeo para o papel gerou curiosidade. O ator e comediante, filho de Chico Anysio, parte de uma das famílias mais icônicas da TV brasileira, tem um repertório que transita entre o humor e o drama com facilidade maior do que o público costuma perceber.

Viver Zagallo, um homem de poucas palavras e muitas convicções, pode ser a performance que redimensiona a carreira de Mazzeo para uma geração mais nova.

Lucas Agrícola vive Pelé

Aqui mora o maior desafio da série. Interpretar Pelé em 1970, o Pelé no auge absoluto, no torneio que muitos consideram sua maior Copa, é uma responsabilidade que assusta qualquer ator.

Lucas Agrícola, ainda em ascensão, foi o escolhido. A aposta é alta e o risco também. Mas há algo interessante na decisão de escalar um nome menos óbvio: permite que o personagem respire sem o peso de comparações constantes com outros trabalhos.

Com isso, nós temos mais chances de ver Pelé, não o ator que está tentando ser Pelé.

Marcelo Adnet vive Eusébio Teixeira

Eusébio Teixeira era o narrador esportivo que acompanhou e eternizou aquela Copa com a voz. Figuras assim têm um papel que vai além do microfone: elas constroem a memória coletiva de uma geração.

Marcelo Adnet, que o público conhece principalmente pelo humor, assume um personagem com uma função narrativa especial na série.

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Gui Ferraz vive Jairzinho

Jairzinho é o único jogador da história a ter marcado em todas as partidas de uma única Copa do Mundo, feito que permanece único até hoje. Gui Ferraz herda um personagem com um peso histórico específico: ele não pode simplesmente estar em campo.

Ele precisa irradiar a presença física e técnica que fazia Jairzinho ser chamado de “Furacão”.

Ravel Andrade vive Tostão

Eduardo Gonçalves de Andrade, o Tostão, era o contraponto de Pelé: inteligente, criativo, um centroavante que pensava o jogo de um jeito diferente de todo mundo.

Jogou a Copa de 1970 com um problema sério de visão, após uma cirurgia delicada. Ravel Andrade tem o desafio de dar corpo a essa fragilidade que coexistia com uma grandeza técnica rara.

Fillipe Soutto vive Gérson

Gérson de Oliveira Nunes era o maestro do meio-campo. Chamado de “Canhotinha de Ouro”, tinha um passe longo que mudava o jogo. Sua jogada no segundo gol do Brasil na final contra a Itália, um lançamento que encontrou Jairzinho na corrida, ainda é ensinada em escolinhas de futebol.

Fillipe Soutto carrega essa responsabilidade de mostrar, em poucos gestos, por que Gérson era insubstituível.

Daniel Blanco vive Rivellino

Bigode, chute de canhota brutal, drible curto e preciso. Rivellino era espetáculo e eficiência na mesma medida. Daniel Blanco interpreta um dos personagens mais carismáticos do elenco histórico, e carismático em série é sempre um papel de faca de dois gumes: ou você captura o carisma, ou o personagem some.

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Caio Cabral vive Carlos Alberto Torres

O gol de Carlos Alberto na final contra a Itália é frequentemente citado como o mais bonito da história das Copas. O capitão de 1970 personificava uma época em que o futebol brasileiro era poesia em movimento.

Caio Cabral tem nas mãos um personagem que, mesmo quando não está com a bola, precisa transmitir liderança.

Hugo Haddad vive Félix

Félix Mielli Venerando foi o goleiro do tricampeonato, e um dos personagens mais contraditórios daquela seleção. Considerado tecnicamente abaixo dos outros titulares, ficou famoso por falhas e por defesas que saíam de um jeito inusitado.

Mas estava lá, era campeão do mundo, e carregou esse peso pelo resto da vida. Hugo Haddad tem material dramático farto para trabalhar.

Victor Salomão vive Dadá Maravilha

Dário José dos Santos, o Dadá Maravilha, marcou o gol que eliminou a Inglaterra, favorita ao título e detentora da Copa Jules Rimet. Uma jogada que ele anunciou antes de acontecer, com a confiança peculiar de quem acredita genuinamente no próprio talento.

Victor Salomão tem um personagem com caráter e bom humor embutidos.

Por que o elenco importa tanto quanto a história?

É fácil subestimar o trabalho de escalar uma série como essa. A tentação de focar apenas no roteiro, nas reconstituições de época e nos efeitos especiais é grande. Mas o elenco é onde a história mora de verdade.

Porque uma coisa é saber que o Brasil ganhou a Copa de 1970 com um time extraordinário num contexto político brutal. Outra coisa, completamente diferente, é sentar no sofá e sentir isso.

A minissérie aposta que o Brasil ainda tem fome dessa história. Que tanto quem viveu 1970 quanto quem só conhece aquela seleção pelo boatos vai querer assistir aos 6 episódios e entender o que aconteceu de verdade, dentro e fora de campo.

Brasil 70: A Saga do Tri está disponível na Netflix.

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