A escalada de conflitos internacionais eleva o preço do petróleo e pressiona a inflação e os juros no Brasil.
Os efeitos do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã geram incertezas globais e impactam diretamente o bolso dos consumidores. Nos últimos dias, o noticiário destacou índices da bolsa, juros futuros e variação cambial. Embora esses termos pareçam distantes do cotidiano, eles afetam o poder de compra nas compras de supermercado e nos postos de combustíveis.
Essa escalada de conflitos internacionais é um evento econômico que drena o poder de compra da população, pois impacta os preços dos combustíveis, dos fretes, dos alimentos, além de influenciar o dólar, os juros e a inflação.
Petróleo dispara e afeta o frete
O primeiro reflexo ocorre nas refinarias. Com a guerra, o preço do barril de petróleo subiu de cerca de 70 dólares para mais de 100 dólares. Como o Brasil não é autossuficiente no refino, o país fica exposto às flutuações do mercado internacional.
Apesar de o governo tentar conter os preços por meio de subsídios e da zeragem de impostos como PIS/Cofins, a pressão tornou-se insustentável. Como resultado, o diesel alcançou quase R$ 9 em algumas regiões, com relatos pontuais de desabastecimento. O combustível movimenta os caminhões que transportam alimentos e os ônibus do transporte público. Portanto, quando o diesel sobe, os custos de transporte aumentam, pressionando a inflação.
O Relatório Focus divulgado pelo Banco Central do Brasil apontou novas estimativas para a inflação e a taxa Selic. A projeção para o IPCA em 2026 subiu para 4,10%, ante 3,91% na semana anterior.
Juros: promessa adiada
A taxa básica de juros é outro indicador que afeta o cidadão em momentos de instabilidade. Anteriormente, a expectativa era de que o Banco Central reduzisse a Selic de forma mais expressiva, barateando empréstimos, financiamentos imobiliários e compras parceladas.
Contudo, com a inflação impulsionada pelos combustíveis, a queda dos juros ocorrerá de forma mais ponderada. O Relatório Focus projeta a taxa Selic a 12,25% ao ano, comparado a 12,13% na semana anterior. Para o consumidor, isso representa parcelas mais elevadas e crédito restrito.
No mercado de juros futuros, as taxas em contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) sobem porque investidores exigem remunerações maiores para manter recursos em mercados emergentes diante das incertezas globais.
O dólar e a bolsa
A bolsa de valores recuou para a faixa de 170 mil pontos. Investidores buscam refúgio em momentos de incerteza, retirando capital de países emergentes como o Brasil. Esse movimento gera volatilidade no dólar. Embora o Brasil exporte petróleo, o que ajuda a atrair dólares, a instabilidade global mantém a moeda americana em patamares elevados, encarecendo insumos agrícolas e eletrônicos.
O risco diplomático
O conflito impõe um cenário diplomático complexo. O Brasil precisa manter relações positivas com os Estados Unidos devido a negociações tarifárias, mas também demonstrou solidariedade ao Irã, país integrante dos Brics. No cenário corporativo, tais posições diplomáticas podem impactar parcerias e investimentos estrangeiros.
Cautela diante da imprevisibilidade
O cenário atual demonstra extrema volatilidade, onde cada desdobramento internacional recalcula as projeções econômicas. Com o petróleo acima de 100 dólares e a pressão sobre o diesel elevando o IPCA para 2026, a cautela torna-se essencial para o consumidor brasileiro. O momento exige vigilância orçamentária e prudência com o crédito, visto que as repercussões da crise geopolítica afetam desde os custos de frete até os preços nos supermercados.