Por Equipe JK

O 1º Congresso Espírita de Ribeirão Preto reuniu participantes neste sábado (28), no Salão da Loja Maçônica União e Liberdade, com uma programação voltada à reflexão sobre o papel das casas espíritas diante das transformações sociais e culturais contemporâneas. Promovido pela União das Sociedades Espíritas Intermunicipal de Ribeirão Preto (USE RP), o encontro integrou o calendário preparatório para o 19º Congresso Estadual de Espiritismo.

Ao longo da tarde, o evento abordou temas como liderança, acolhimento, comunicação e a atuação das instituições em um cenário marcado por mudanças no comportamento social e no acesso à informação. A programação contou com palestras de Júlio Carvalho, Edmir Garcia e André Bordini, além de espaço para perguntas e interação com o público.

Foto: Divulgação

Abrindo o ciclo de palestras, Júlio Carvalho, natural de Araxá (MG), médium psicógrafo atuante no Instituto Espírita do Amor, em Pratinha (MG), hoje estudante de Medicina, comentou sobre a formação de lideranças e a necessidade de preparar trabalhadores para a continuidade das atividades nas casas espíritas.

Durante sua fala, destacou que o processo de sucessão deve ser compreendido como parte estruturante das instituições. “O verdadeiro líder trabalha para ser substituído. Não fica segurando o trabalho para si. É preciso formar pessoas, oportunizar, deixar que elas aprendam e se desenvolvam”, afirmou.

Ao abordar a mediunidade no contexto atual, destacou a dimensão prática do conceito. “Médium é intermediário. E a gente precisa pensar nesse papel, nesse momento no planeta, como intermediários do amor, da proposta de amar uns aos outros. Eu foquei minha fala durante o congresso, não no aspecto técnico, mas na nossa capacidade de amar o outro”, disse.

Ao final do encontro, Carvalho também ressaltou a importância de iniciativas como o congresso para o fortalecimento do movimento espírita. “Esses encontros são muito importantes porque reúnem trabalhadores de casas diferentes, que vivem realidades diferentes. Essa troca de experiências faz com que as casas se fortaleçam, surjam novos trabalhadores e a gente consiga entender melhor o que precisa ser ajustado”, afirmou.

Na sequência, Edmir Garcia, natural de Bebedouro (SP), professor de História, Geografia e Geopolítica, pós-graduado em Psicopedagogia e atual presidente da USE Regional Ribeirão Preto, trouxe reflexões sobre liderança e prática cotidiana nas instituições.

Segundo ele, a coerência entre discurso e ação é um dos principais desafios do tempo atual. “As pessoas seguem quem vive, não quem apenas fala. A vivência se dá nas pequenas coisas, na forma de acolher, no sorriso, na maneira de receber”, afirmou.

Garcia também destacou a importância da revisão constante das práticas. “Precisamos avaliar como estamos recebendo as pessoas, como estão os trabalhos, o que precisa ser corrigido. Isso faz parte de qualquer instituição”, disse.

Encerrando a programação, André Bordini, psicólogo, psicoterapeuta e estudioso do espiritismo, com atuação na Sociedade Espírita Allan Kardec de Ribeirão Preto, conduziu uma reflexão sobre o tempo, a experiência humana e o papel das instituições no contexto contemporâneo.

Em sua fala, articulou referências filosóficas e espirituais para abordar a experiência humana a partir da perspectiva espiritual. “Nós não somos seres materiais em busca de uma experiência espiritual. Nós somos espíritos eternos, mergulhados temporariamente em uma experiência humana.”

Ao tratar do papel das instituições no cenário atual, reforçou a função do centro espírita diante das transformações do mundo contemporâneo. “O centro espírita não está aqui para copiar o mundo, nem para mudar o mundo, mas para equilibrar o mundo”, afirmou.

Ao longo das discussões, o papel das casas espíritas no contexto contemporâneo se consolidou como eixo central do encontro. Entre os pontos abordados, estiveram o acolhimento, a escuta, a formação de trabalhadores e a necessidade de adaptação às transformações sociais, sem perder os fundamentos da doutrina.

A reflexão foi conduzida a partir da compreensão de que o centro espírita não deve apenas responder às demandas internas das instituições, mas também se posicionar diante das questões do tempo presente, atuando como espaço de cuidado, orientação e construção de vínculos.

Para o presidente da USE RP, André Zolla, que mediou o encontro, o congresso cumpriu o papel de ampliar o diálogo sobre a atuação das casas espíritas no tempo presente. Segundo ele, o encontro reforça a importância de espaços de escuta, troca e atualização das práticas, em sintonia com as necessidades da sociedade. O encontro reuniu participantes de Ribeirão Preto e região, entre trabalhadores de casas espíritas, frequentadores e interessados no tema. A proposta, segundo a organização, é que o congresso tenha continuidade nos próximos anos, ampliando o espaço de diálogo e formação no âmbito do espiritismo regional.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *