Especialista explica como a emoção das partidas de futebol e os hábitos inadequados afetam o coração durante a Copa do Mundo.

Gritos, tensão, expectativa e comemoração integram a experiência de acompanhar uma partida de futebol. Durante a Copa do Mundo, quando a emoção atinge níveis elevados, o organismo também responde: o coração acelera, a pressão arterial sobe e ocorre a liberação de hormônios ligados ao estresse, como a adrenalina.

Segundo a cardiologista Adrielle Naves, da Hapvida, essas reações são naturais, porém exigem atenção, especialmente de quem já convive com doenças cardiovasculares ou fatores de risco. “Em momentos de intensa tensão emocional, há aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, elevando o esforço do coração”, explica.

O alerta é ainda mais importante para pessoas com histórico de infarto, insuficiência cardíaca, hipertensão, arritmias, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo, sedentarismo ou casos de doença cardiovascular precoce na família.

Embora a maioria dos torcedores não apresente complicações durante as partidas, alguns sintomas não devem ser ignorados. Dor no peito, falta de ar, palpitações, tontura, suor excessivo e desmaio podem indicar um evento cardiovascular agudo.

“Dor torácica que pode irradiar para os membros superiores, pescoço, mandíbula ou costas, falta de ar, palpitações, tontura, sudorese e desmaio são sinais de alarme e podem indicar um evento cardiovascular agudo”, alerta a especialista.

Além da carga emocional dos jogos, hábitos comuns entre os torcedores também podem ampliar os riscos. “O consumo de álcool, o excesso de alimentos gordurosos e ricos em sal, e o tabagismo contribuem para a descompensação da hipertensão arterial, arritmias e surgimento de eventos cardiovasculares agudos”, afirma Adrielle.

Para aproveitar a Copa do Mundo sem colocar a saúde em risco, a orientação consiste em manter hábitos saudáveis mesmo durante os dias de jogo.

“É importante evitar excesso de álcool, não fumar, ingerir água e alimentos saudáveis, fazer o uso correto das medicações contínuas e realizar acompanhamento cardiológico regularmente”, orienta.

A médica também reforça que qualquer sintoma suspeito precisa ser avaliado imediatamente. “Ao apresentar sintomas como dor torácica, falta de ar, palpitações, perda de consciência, sudorese, mal-estar, dificuldade para falar ou alteração visual é importante realizar avaliação médica com urgência. Na cardiologia, tempo é vida e faz diferença no prognóstico do paciente”, conclui.