Especialistas apontam a previdência privada como ferramenta essencial para garantir renda complementar e segurança financeira diante das incertezas do INSS.

Milene de Freitas Cravo Alvim atua como gerente da agência Sicoob Cooperac no bairro Ipiranga, em Ribeirão Preto. Ela ingressou na cooperativa em 2014 e aderiu ao plano de previdência privada no ano seguinte. Mesmo jovem, optou pelo investimento motivada pela bonificação extra oferecida pela instituição, que dobra o valor aplicado mensalmente como benefício aos colaboradores.

Mãe de dois filhos, Milene também poupa com foco no futuro da família. “A previdência nos dá a segurança de saber que temos o recurso aplicado como complemento à aposentadoria. É uma forma de pensar no futuro, no bem-estar da minha família. Como profissional também tenho certeza que estou oferecendo uma ótima alternativa para o planejamento financeiro dos cooperados, fácil de compreender e gerenciar”, explica.

O comportamento da gerente ainda diverge da média nacional. Apenas uma parcela reduzida dos chefes de família poupa com regularidade, e um grupo ainda menor conhece alternativas de longo prazo para a independência financeira, como a previdência privada. Contudo, diante das alterações frequentes nas regras da aposentadoria tradicional do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e das incertezas econômicas futuras, o interesse pelo tema cresce.

O saldo acumulado em previdência privada nos planos administrados pelo Sicoob Cooperac apresenta alta, refletindo o fortalecimento do planejamento financeiro de longo prazo entre os cooperados, com divisão equilibrada entre gêneros. Do total de planos ativos, 50,4% pertencem a mulheres e 49,6% a homens. O montante acumulado ultrapassa R$ 5,8 milhões, sendo R$ 2,99 milhões aplicados por mulheres e R$ 2,82 milhões por homens.

Segundo André Sousa, consultor de investimentos e previdência do Sicoob Cooperac, as famílias utilizam os planos para complementar a aposentadoria tradicional e elevar a renda futura. “O Multi-Instituído é interessante para quem busca potencializar seu rendimento e garantir vantagem fiscal de até 12% na base de cálculo do Imposto de Renda, para quem faz declaração no Modelo Completo e contribui para a Previdência Social. Já o VGBL é mais utilizado para sucessão patrimonial, flexibilidade e diversificação do planejamento financeiro. Ambos os planos superam a rentabilidade da poupança e possuem flexibilização de tributação”, afirma.

Dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi) indicam que o setor gerencia cerca de R$ 1,7 trilhão no Brasil, montante equivalente a aproximadamente 13,7% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. O relatório referente ao primeiro bimestre de 2026 aponta que os planos abertos alcançaram R$ 27,5 bilhões em captação bruta, resultado da adesão de 11,2 milhões de pessoas detentoras de mais de 13,7 milhões de planos, dos quais 99,4% estão em fase de acumulação. A captação líquida atingiu R$ 4,9 bilhões, alta de 52,4% na comparação com igual período de 2025.

O planejamento antecipado potencializa o uso dos juros compostos ao longo do tempo, beneficiando metas como aposentadoria, educação dos filhos e segurança patrimonial. Além disso, André destaca que a modalidade oferece flexibilidade para diferentes perfis e fases da vida, permitindo contribuições e resgates programados. Com a previdência privada, o contribuinte indica beneficiários a qualquer momento, assegurando a sucessão patrimonial sem burocracia ou exigência de inventário.

As cooperativas financeiras desempenham papel relevante ao fornecer orientação personalizada para a construção de estratégias sustentáveis. Para André, a busca por informações sobre previdência privada demonstra uma mudança de postura do brasileiro frente às restrições do sistema público. “A previdência privada tem deixado de ser solução financeira para o futuro distante e passou a fazer parte do planejamento financeiro desde cedo”, conclui.