Por Equipe JK
A quarta e última edição do guia da Copa do Mundo de 2026 do Tribuna Ribeirão traz como destaque a seleção brasileira. Em busca do tão sonhado – e adiado – hexacampeonato, a Canarinho terá a missão de superar a desconfiança acumulada após um ciclo turbulento, pouco organizado e marcado por uma campanha aquém das expectativas nas Eliminatórias Sul-Americanas.
Ainda assim, o Brasil é o país que mais vezes ergueu o troféu: cinco. Desde o primeiro título, em 1958, o mundo conhece o potencial do futebol verde e amarelo e, em outras situações semelhantes, de esperança moderada, boas campanhas foram feitas.
No ranking oficial da Fifa, a seleção brasileira também aparece na briga com os lusitanos pelo quinto lugar, mas longe dos conjuntos que brigam ponto a ponto pela liderança: Argentina, Espanha e França.
A posição é fruto de um período de muita instabilidade entre 2022 e 2026. No Mundial do Catar, o Brasil foi comandado . Na primeira fase, passou na liderança do Grupo G sem convencer e empatado em pontos com a Suíça. No mata-mata, goleou a Coreia do Sul nas oitavas de final e, nas quartas, sofreu uma dura eliminação nos pênaltis para a Croácia – o gol de empate dos europeus foi marcado nos minutos finais da prorrogação.
Desde o título mais recente, em 2002, o time nacional viveu repetidos traumas em mata-mata. Em 2006, na Alemanha, caiu para a França nas quartas de final. Já em 2010, na África do Sul, o algoz foi a Holanda, também nas quartas. O único ano em que a queda não foi no antepenúltimo estágio foi em 2014, em campanha que terminou com o quarto lugar após o histórico 7 a 1 para a Alemanha, na semifinal, no Mineirão. Em 2018, na Rússia, mais uma queda nas quartas, diante da Bélgica. Tite também era o técnico naquela ocasião.
Assim, o profissional gaúcho encerrou seu ciclo após duas Copas consecutivas e o então presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues, chegou a acordo com Ancelotti, à época no Real Madrid, para substituí-lo. No aguardo pelo treinador, o dirigente manteve interinos no posto. Primeiro foi Ramon Menezes e, em seguida, Fernando Diniz. Contudo, o italiano decidiu não assumir o comando, e o escolhido de forma definitiva foi Dorival Júnior, campeão da Copa do Brasil pelo São Paulo, numa tentativa de estabilização.
Não funcionou. Foram sete vitórias, sete empates e duas derrotas em 16 partidas com o técnico. No caminho, a eliminação nas quartas de final da Copa América para o Uruguai, nos pênaltis, após uma primeira fase decepcionante, marcada pela classificação na segunda posição do Grupo D, atrás da Colômbia.
A passagem de Dorival pela seleção terminou pouco mais de um ano depois do início, em 28 de março de 2025, três dias depois da goleada por 4 a 1 sofrida no clássico com a Argentina, em Buenos Aires. Foi a maior goleada sofrida pelo Brasil na história das Eliminatórias e o pior revés para seu principal rival em mais de seis décadas.
Mas não era só a comissão técnica que passava por instabilidade. Na presidência da CBF desde 2021, inicialmente como interino, Ednaldo Rodrigues enfrentou problemas jurídicos a partir de dezembro de 2023, quando o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro promoveu sua destituição do cargo por considerar inválido o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) celebrado em 2022 com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). O TAC alterava as regras das eleições, que eram questionadas pelo MP desde a Assembleia de 2017 que pavimentou a eleição de Rogério Caboclo. Após um mês de afastamento, Ednaldo retornou ao poder por decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
No início de 2025, o STF e a Justiça legitimaram a eleição vencida . Em março, ele antecipou o pleito e conseguiu a reeleição. No entanto, veio à tona uma acusação de fraude em um acordo anterior que dava sustentação à sua permanência, no qual a assinatura do dirigente Coronel Nunes foi contestada por suspeita de falsificação e incapacidade cognitiva do signatário. Em 15 de maio de 2025, o Tribunal de Justiça do Rio determinou uma nova destituição de Ednaldo Rodrigues do cargo. Fernando Sarney assumiu a presidência interinamente e, dez dias depois, Samir Xaud foi eleito para mandato até 2029.
Três dias antes da saída de Rodrigues, Carlo Ancelotti havia sido anunciado como o novo treinador da seleção. Ele iniciou o trabalho de 26 de maio e encerrou as Eliminatórias com o Brasil na frustrante quinta posição com 28 pontos, dez atrás da líder Argentina.
Foi a primeira vez que a Canarinho disputou as Eliminatórias e não ficou na primeira colocação desde a disputa por vaga no Mundial de 2002. Essa é apenas uma das semelhanças com a campanha do penta. Naquele ano, a seleção também enfrentava forte desconfiança, justamente pela campanha decepcionante no torneio da Conmebol, além do vice-campeonato em 1998 diante da França e as mudanças no comando técnico.
Assim como ocorreu com Neymar na convocação de 2026, o treinador da seleção naquela ocasião, Felipão, teve de tomar uma difícil decisão: chamar ou não o veterano Romário, de 36 anos, que fazia espetacular temporada com a camisa do Vasco. O Baixinho acabou de fora da lista há 24 anos, enquanto Neymar, que convive com problemas físicos no Santos, foi chamado .
Além de Neymar, outros destaques da seleção brasileira nesta convocação são os atacantes Vinícius Júnior, do Real Madrid, e Raphinha, do Barcelona, os volantes Casemiro, do Manchester United, e Bruno Guimarães, do Newcastle, assim como os zagueiros Gabriel Magalhães, do Arsenal, e Marquinhos, do Paris Saint-Germain, escolhido como capitão do grupo.
A estreia do Brasil na Copa do Mundo será no sábado (13), às 19h (de Brasília), contra o Marrocos. No Grupo C, a seleção fará toda a primeira fase nos Estados Unidos. O primeiro confronto está agendado para o MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey. Em seguida, a equipe, que treina no CT do New York Red Bulls, também em Nova Jersey, encara o Haiti no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, Pensilvânia, dia 19, às 21h30. O último duelo é contra a Escócia, em 24 de junho, às 19h, no Hard Rock Stadium, em Miami Gardens, Flórida.
A Canarinho tem uma variedade de possíveis cenários pela frente. Caso avance na liderança, fará duelo, na segunda fase, com o vice-líder do Grupo F (Holanda, Japão, Suécia ou Tunísia). Se ficar em segundo, enfrenta o primeiro dessa chave. Se a classificação vier com o terceiro lugar, os brasileiros encaram o líder do Grupo A, E ou I.
Maior campeão da história, o Brasil também é o único país a disputar todas as edições de Mundial. São cinco títulos (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002), dois vices (1950 e 1998), dois terceiros lugares (1938 e 1978) e dois quartos lugares (1974 e 2014). O retrospecto da seleção é de 114 jogos, com 74 vitórias, 19 empates, 19 derrotas, 237 gols marcados e 108 sofridos.
Curiosidades da Copa
Além da seleção brasileira e de outras potências já detalhadas pelo guia nas últimas semanas, outras equipes vão aos Estados Unidos, México e Canadá para seu primeiro Mundial. Os estreantes são Cabo Verde (Grupo H, com Espanha, Arábia Saudita e Uruguai), Curaçao (Grupo E, ao lado de Alemanha, Equador e Costa do Marfim), Jordânia (Grupo J, com Argentina, Argélia e Áustria) e Uzbequistão (Grupo K, enfrenta Portugal, Congo e Colômbia).
A classificação desses times é consequência da mudança de regulamento. Pela primeira vez na história, 48 equipes disputarão o troféu. O aumento de 16 times provocou alterações na estrutura do torneio, que agora terá 12 grupos e uma fase a mais de mata-mata, antes as oitavas de final, com 32 times e 16 embates. Avançam ao estágio eliminatório os dois primeiros de cada chave e os oito melhores terceiros colocados na tabela geral.
Será também a primeira Copa disputada em três países diferentes. Palco da final, a maior quantidade de sedes pertence aos Estados Unidos: MetLife Stadium (East Rutherford, Nova Jersey), SoFi Stadium (Inglewood, Califórnia), AT&T Stadium (Dallas, Texas), Gillette Stadium (Foxborough, Massachusetts), Arrowhead Stadium (Kansas City, Missouri), Mercedes-Benz Stadium (Atlanta, Geórgia), NRG Stadium (Houston, Texas), Hard Rock Stadium (Miami Gardens, Flórida), Lincoln Financial Field (Filadélfia, Pensilvânia), Levi’s Stadium (Santa Clara, Califórnia) e Lumen Field (Seattle, Washington). O México terá jogos em três campos: Azteca (Cidade do México), Estádio BBVA (Monterrey) e Estadio Akron (Guadalajara). Por fim, o Canadá terá duelos no BC Place (Vancouver) e no BMO Field (Toronto).