Por Equipe JK
Existe um momento em que você percebe que conhecia só metade de uma história. Não por falta de atenção, mas porque ninguém tinha te contado a outra parte. Cidade das Estrelas é exatamente isso: a metade que faltava.
A série, disponível na Apple TV, já possui dois episódios de uma vez. Os próximos chegam toda sexta até 10 de julho, oito episódios no total. E se você não sabe ainda do que se trata, ótimo. Esse é o melhor momento para conhecer.

O spin-off que virou o mapa
Cidade das Estrelas é derivada de For All Mankind, a série de ficção científica da Apple TV que reimagina a corrida espacial com uma premissa simples e inquietante: e se a União Soviética tivesse chegado à Lua antes dos americanos?
For All Mankind passou cinco temporadas explorando esse universo alternativo, sempre do ponto de vista dos Estados Unidos. Mas havia uma lacuna enorme ali. O que estava acontecendo do outro lado?
É essa pergunta que Cidade das Estrelas responde. A câmera cruza a Cortina de Ferro e vai para dentro do programa espacial soviético: para os cosmonautas, os engenheiros, os agentes da KGB infiltrados entre eles. Para as pessoas que carregaram aquela vitória nas costas sem poder contar para ninguém.

Não é uma série espacial, é um thriller de paranoia
Quem chega esperando Star Trek ou Battlestar Galactica vai se surpreender, no bom sentido. Cidade das Estrelas é mais fria, mais contida, mais próxima de Chernobyl do que de qualquer coisa que você associe ao gênero espacial.
A tensão aqui não nasce de uma nave em colapso. Nasce do silêncio que cai quando alguém entra na sala. De uma conversa que para no meio. De um elogio que parece, ao mesmo tempo, uma ameaça.
A comparação com Chernobyl vai aparecer muito e faz sentido. Os criadores adotaram a mesma lógica de mostrar como um sistema de poder devora as pessoas que estão dentro dele, só que aqui, diferente do desastre nuclear, a missão deu certo. E “dar certo” no contexto soviético tem um custo que a série não deixa você ignorar.
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Rhys Ifans no papel que ele precisava fazer
O elenco é um dos maiores trunfos da série. Rhys Ifans, que o público conhece bem como Otto Hightower em A Casa do Dragão, lidera como o Projetista-Chefe, a figura por trás de toda a máquina soviética.
O personagem é inspirado em Sergei Korolev, o engenheiro soviético real que morreu em cirurgia em 1966, mas que neste universo alternativo sobreviveu e levou a União Soviética à Lua.
Anna Maxwell Martin, conhecida de Line of Duty e Motherland, aparece como a chefe de vigilância da KGB, e rouba todas as cenas em que está. Josef Davies, que acabou de aparecer em Andor, também está no elenco. Os criadores da série são Ronald D. Moore, Ben Nedivi e Matt Wolpert, os mesmos de For All Mankind.

Você não precisa ter assistido For All Mankind
Essa parte importa. Cidade das Estrelas funciona como série independente. Quem viu For All Mankind vai reconhecer personagens, vai perceber os Easter eggs, vai entender as conexões. Mas quem nunca tocou na série original entra sem nenhuma desvantagem.
O que a série pede é só paciência para um ritmo diferente do padrão da streaming atual. Ela não entrega tudo nos primeiros vinte minutos. Ela constrói, e o tipo de construção que Cidade das Estrelas propõe é exatamente o que o gênero de ficção científica costuma deixar de lado quando quer ser grande demais.
Cidade das Estrelas está disponível na Apple TV.