Estudo da OCDE revela que brasileiros com diploma universitário ganham 148% a mais, mas especialista aponta desafios na permanência estudantil.

Apesar de o ambiente corporativo ter enfrentado profundas transformações nos últimos anos, impulsionado pela chegada da inteligência artificial, da digitalização e de modelos modernos de contratação, o diploma de nível superior segue como um dos diferenciais mais importantes para quem almeja melhores posições profissionais no Brasil. Informações da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico demonstram que profissionais brasileiros graduados ganham, em média, 148% acima daqueles que completaram apenas o ensino médio, um índice quase três vezes maior do que a média dos países que integram a organização, que fica em 54%.

Para Antonio Esteca, especialista em avaliação e regulação da educação superior e avaliador do Inep/MEC, o indicador transcende a simples valorização do título acadêmico e reflete uma peculiaridade do próprio mercado no país. “O ensino superior continua sendo um importante fator de mobilidade social no Brasil. Quando observamos uma diferença salarial tão expressiva, percebemos também que existe uma demanda por profissionais qualificados maior do que a oferta disponível. Isso mostra que investir em formação continua sendo um diferencial competitivo para quem deseja crescer profissionalmente”, afirma.

De acordo com Esteca, o cenário também traz à tona outra questão primordial: assegurar que um número maior de alunos consiga finalizar a graduação. “O Brasil ampliou significativamente o acesso ao ensino superior nas últimas décadas, mas ainda enfrenta índices elevados de evasão. O grande desafio agora não é apenas colocar o aluno na universidade, mas criar condições para que ele conclua sua formação e esteja preparado para atender às demandas do mercado”.

Mercado exige novas competências

Na visão do especialista, a alta valorização do diploma caminha lado a lado com as exigências impostas pelas empresas e pela economia. “Hoje o mercado busca profissionais que dominem competências técnicas, mas também tenham capacidade analítica, pensamento crítico, comunicação, resolução de problemas e adaptação às transformações tecnológicas. A graduação continua sendo um ambiente importante para desenvolver essas competências”, observa.

Esteca ressalta ainda que os setores voltados à tecnologia, engenharia, inovação e análise de dados devem ganhar ainda mais destaque nos próximos anos, impulsionados pela evolução digital. “O avanço da inteligência artificial não reduz a importância da educação superior. Pelo contrário. Ele aumenta a necessidade de profissionais capazes de interpretar informações, tomar decisões e utilizar a tecnologia de forma estratégica”, aponta.

Formação além do diploma

Para Antonio Esteca, a pauta sobre a educação superior precisa ir além do debate sobre o ingresso nas instituições de ensino, abrangendo toda a trajetória acadêmica. “O diploma continua abrindo portas, mas ele é resultado de um processo. Precisamos fortalecer políticas de permanência, melhorar a qualidade da formação e aproximar ainda mais as instituições do mercado de trabalho. Quanto maior for essa conexão, maiores serão as oportunidades para os estudantes e para o desenvolvimento do país”, conclui.

Sobre o especialista

Antonio Esteca é graduado e mestre em Ciência da Computação pela UNESP, especialista em Gestão de Negócios pelo IBMEC-RJ e doutor em Psicologia pela PUC-Campinas. Atua no ensino superior desde 2013, com experiência em docência, gestão acadêmica, inovação educacional e desenvolvimento institucional. É avaliador institucional do INEP/MEC e acompanha de perto temas relacionados à qualidade e às transformações da educação brasileira. Atualmente, destaca-se também como uma das 10 vozes de maior influência no LinkedIn no mundo na área da Educação Superior. Em sua pesquisa de doutorado, dedicou-se ao estudo da prevenção do bullying e do cyberbullying no contexto escolar, tema que dialoga diretamente com a formação de educadores e com a promoção de ambientes escolares mais seguros e saudáveis. Atualmente, é CEO e Diretor-Geral da Faculdade Metropolitana do Estado de São Paulo (FAMEESP), da Faculdade Metropolitana de Franca (FAMEF) e da Faculdade de Tecnologia, Ciências e Educação (FATECE). Mais informações: https://www.linkedin.com/in/antonioesteca

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *