Estudo aponta que 89% dos brasileiros praticam a automedicação, hábito que pode mascarar doenças graves e provocar intoxicações severas.

O consumo de remédios sem acompanhamento médico é uma prática recorrente em todo o país. Um estudo conduzido pelo Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico (ICTQ) revela que 89% dos brasileiros recorrem à automedicação. Estatísticas do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) apontam mais de 30 mil internações anuais devido a intoxicações por medicamentos no Brasil, além de milhares de óbitos ligados a esse comportamento.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a automedicação consiste na utilização de fármacos para o alívio de sintomas sem a devida avaliação de um especialista, englobando tanto indicações de conhecidos quanto experiências passadas. O cenário gera preocupação na comunidade médica, sobretudo devido aos perigos associados. A Biblioteca Virtual em Saúde, vinculada ao Ministério da Saúde, reforça que o consumo sem critério pode desencadear desde reações adversas até quadros graves, como dependência química e morte.

Segundo o médico Marcello Nannetti, da Hapvida, o hábito é frequente na prática clínica e pode comprometer a identificação precoce de doenças e a condução adequada do tratamento.

“Os casos mais frequentes envolvem dores de cabeça, quadros gripais, resfriados, dor epigástrica, febre e dores musculares. Também são comuns situações de uso de antibióticos e anti-inflamatórios sem prescrição. Muitos pacientes procuram atendimento após utilizarem medicações por conta própria, o que pode atrasar o diagnóstico correto”, explica o profissional.

O médico alerta que, mesmo em cenários aparentemente simples, como cefaleia ou sintomas gripais, o uso indiscriminado de remédios pode ocultar condições mais severas, tais como infecções e outros diagnósticos diferenciais. “Além disso, medicações comuns podem causar reações alérgicas ou interagir com outros fármacos em uso, trazendo riscos adicionais”, ressalta.

Entre as principais ameaças encontram-se as reações alérgicas, as intoxicações por emprego incorreto e as interações medicamentosas. “Dependendo da substância e da dose, pode haver prejuízo ao fígado e aos rins. Em muitos casos, isso leva a complicações evitáveis e até a internações”, afirma.

Nannetti também pontua que recorrer à internet em busca de informações sobre saúde pode ser perigoso, uma vez que o paciente se baseia em dados genéricos, desconsiderando seu histórico clínico, alergias ou tratamentos em andamento. “Isso pode levar a escolhas inadequadas e retardar a busca por atendimento quando necessário”, alerta.

Para orientar a população sobre o momento correto de buscar avaliação profissional, o clínico geral destaca sinais de alerta que não devem ser ignorados:

  • febre persistente;
  • dor intensa no peito;
  • dor de cabeça contínua;
  • falta de ar;
  • vômitos repetidos;
  • sintomas que não melhoram em poucos dias.

Nessas circunstâncias, a orientação é procurar atendimento médico para uma investigação correta e evitar o consumo de fármacos sem prescrição. “Manter consultas e check-ups em dia também é essencial para prevenir a automedicação, além de permitir diagnóstico precoce e acompanhamento adequado”, conclui Nannetti.

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