Especialista em neurocomunicação revela estratégias essenciais para manter o público focado e evitar distrações durante aulas e palestras.
Manter a atenção de uma plateia, seja em uma sala de aula repleta de estudantes ou em um auditório lotado para uma conferência, jamais foi uma missão simples. No entanto, nos dias atuais, diante das constantes distrações provocadas por celulares e outros dispositivos eletrônicos que ninguém abandona, esse desafio tornou-se ainda mais complexo.
“Segurar uma plateia sem celular hoje é praticamente impossível, ou seja, se conseguir manter as pessoas longe das telas durante o discurso, já é sinal de que está no caminho certo. É preciso ter um discurso afiado e criar estratégias simples e eficazes para trazer o público para si”, afirma Thiara Palmieri, ex-atriz e apresentadora, que atualmente atua como especialista em neurocomunicação e já auxiliou mais de 2 mil pessoas a aprimorarem sua comunicação.
Segundo Thiara, torna-se perceptível quando uma audiência demonstra interesse pelo conteúdo exibido ou quando começa a se desinteressar. “Ver as pessoas com suas expressões corporais “derretendo”, por exemplo, é uma forma de entender que é preciso agilizar o discurso ou trazer as pessoas de volta para você”, comenta.
Contudo, quais métodos utilizar para impedir a desconexão do público e preservar o foco na apresentação? Confira na entrevista exclusiva com a profissional:
1- Qual o segredo que faz uma plateia realmente prestar atenção em alguém?
Thiara: Ser autêntico. Nada substitui uma pessoa verdadeira em cima do palco. Para além disso, é preciso ser dedicado, estudar e, acima de tudo, ser um excelente leitor, ter repertório para incluir analogias, metáforas e todo o aparato técnico necessário para manter o público atento.
2- Qual é a importância da voz, do ritmo e das pausas para manter o foco da audiência?
Thiara: É grande parte do trabalho. Uma voz bem colocada e com ritmo apropriado demonstra autoridade ao falar. E muito se engana aquele que pensa que precisa preencher o silêncio o tempo todo durante um discurso. É justamente na pausa, no silêncio, que o cérebro do público entende o que foi dito, interpreta a mensagem e volta a atenção plena para o palestrante.
Um exemplo espetacular é observar os comediantes de stand-up: eles usam o silêncio lindamente para fazer o público rir. E nada pior do que um palestrante ou professor buscar palavras através de sinais sonoros (vícios de linguagem), como “eeeeee”, “ééééé”, “nééé” ou “huuummm”.
3- Como a linguagem corporal influencia a credibilidade do palestrante?
Thiara: A linguagem corporal vem antes da palavra, ou seja, ela é mais importante do que a própria palavra. E ela não precisa ser forçada, mas precisa ser consciente.
4- Usar histórias, exemplos ou mesmo humor realmente ajuda no aprendizado e na atenção? Por quê?
Thiara: Com certeza. Quando a analogia é usada de maneira direta e sucinta, com o objetivo de simplificar o ponto de vista do autor ou palestrante, o texto, a palestra ou o discurso podem se tornar bastante assertivos e eficazes. Até mesmo na área dos estudos da linguagem, a analogia é usada de maneiras diferentes em cada área – sintaxe, morfologia, fonética e semântica.
Aristóteles afirmou que todas as coisas são iguais por analogia, pois tudo se relaciona entre si, dependendo do ponto de vista. E o cérebro trabalha por associação. Facilita muito para ele entender e apreender.
5- Existe diferença nas forma de prender a atenção de adolescentes, universitários e adultos?
Thiara: A técnica permanece a mesma, mas se adapta ao perfil da audiência. Existe a necessidade de saber usar a linguagem e a comunicação intergeracional adequadas para atingir cada público.
6- Slides ajudam ou atrapalham? Por quê?
Thiara: Ajudam. Porém, sempre partindo da ideia de que menos é mais. Slide não é conteúdo, não deve ter coisa demais, é um apoio.
7- Quais técnicas ajudam a “recuperar” uma plateia dispersa?
Thiara: Existem algumas técnicas que podem ajudar com isso, como: Mudanças bruscas de expressão corporal, como uma corridinha no palco; usar planos espaciais – baixo, médio e alto; saber utilizar posturas de poder a seu favor; Aumentar o volume em determinadas palavras e baixar o volume em outras; entre outras.