Por Equipe JK

O Brasil sempre teve ingredientes extraordinários, e agora o mundo começa a enxergar a potência da nossa cozinha também pela ótica da alta gastronomia

O mês de abril de 2026 entrou para a história da gastronomia brasileira. Pela 1ª vez, o Brasil – e também toda a América Latina – passa a ter restaurantes com três estrelas no Guia Michelin, o reconhecimento máximo da gastronomia mundial.

Os protagonistas desse feito são dois restaurantes paulistanos: Evvai, do chef Luiz Filipe Souza, e Tuju, do chef Ivan Ralston.  

Para quem acompanha a gastronomia de perto, esse é um daqueles momentos que marcam uma virada de chave: não é apenas duas casas sendo premiadas; é o Brasil reconhecido no mais alto patamar da alta gastronomia internacional.

O Guia Michelin nasceu na França, no início do século XX, e se tornou uma das principais referências gastronômicas do mundo. Uma estrela indica um restaurante muito bom em sua categoria; duas estrelas apontam uma cozinha excelente, que vale um desvio no roteiro; três estrelas significam uma cozinha excepcional, que vale uma viagem especial. E é exatamente aí que está o tamanho dessa conquista.

De acordo com a lista global mais recente, existem cerca de 156 restaurantes três estrelas Michelin no mundo, agora com o Brasil figurando entre os países que alcançaram essa distinção.

Tive a honra de estar presente nas duas casas que conquistaram as três estrelas este ano. No Evvai, vivi a experiência do menu Oriundi, em que Luiz Filipe Souza conecta suas raízes italianas com ingredientes brasileiros em uma cozinha extremamente técnica, autoral e emocionante.

No Tuju, Ivan Ralston apresenta uma cozinha de pesquisa, sazonalidade e profundidade, com uma leitura muito particular sobre ingredientes, clima e território brasileiro.

São restaurantes completamente diferentes entre si, mas que chegam ao mesmo lugar: o mais alto reconhecimento da gastronomia mundial.

A edição 2026 do Guia Michelin para São Paulo e Rio de Janeiro reúne:

  • 2 restaurantes com três estrelas;
  • 3 com duas estrelas;
  • 19 com uma estrela;
  • 44 Bib Gourmand;
  • 81 selecionados;
  • 3 com Estrela Verde.

Entre os restaurantes duas estrelas aparecem o D.O.M., em São Paulo; e o Lasai e o Oro, no Rio de Janeiro. Já na lista de uma estrela, encontramos nomes como: Casa 201; Madame Olympe; MEE; Oseille; Oteque; e San Omakase, no Rio. E em São Paulo, aparecem Fame Osteria; Jun Sakamoto; Kan Suke; Kanoe; Kazuo; Kinoshita; Kuro; Maní; Murakami; Oizumi Sushi; Picchi; Ryo Gastronomia; e Tangará Jean-Georges.

A Estrela Verde, reconhecimento ligado a práticas sustentáveis, ficou com A Casa do Porco, Corrutela e Tuju, todos em São Paulo.

Essa lista ultrapassa os limites da premiação e confirma algo que já vinha sendo construído há muitos anos: a gastronomia brasileira amadureceu, ganhou repertório, técnica, identidade e reconhecimento internacional.

O Brasil sempre teve ingredientes extraordinários e, agora, cada vez mais, o mundo começa a enxergar a potência da nossa cozinha também pela ótica da alta gastronomia.

Para quem quiser ver por dentro como são essas duas experiências, os vídeos completos do Evvai e do Tuju estão no canal Neto Costa Explora, no YouTube.

* Neto Costa é criador de conteúdo no Do Chef à Mesa, idealizador do Comer Bem, o primeiro prêmio gastronômico de Ribeirão Preto, e criador do canal Neto Costa Explora, no YouTube. Entusiasta de experiências gastronômicas, vinhos e viagens

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