Comissão parlamentar que investiga a venda e o destombamento do Clube Palestra Itália agendou depoimentos para agosto.

A comissão parlamentar de inquérito aberta na Câmara Municipal de Ribeirão Preto para investigar a venda do Clube Palestra Itália e a revogação de seu tombamento marcou as primeiras oitivas. Os depoimentos estão agendados para o dia 10 de agosto, às 16h, na Sala de Comissões do Legislativo.

Foram convocados para prestar esclarecimentos o ex-presidente do Conselho de Preservação do Patrimônio Artístico e Cultural (Conppac), Lucas Gabriel Pereira, e a atual presidente do órgão, Natália Barbosa Hetem. Os parlamentares também vão requerer ao conselho todos os documentos que embasaram o tombamento provisório do edifício, em 2024, e a posterior anulação da proteção, aprovada em abril deste ano.

Além dos dirigentes do Conppac, o grupo legislativo planeja ouvir a secretária municipal da Cultura, Maria Eugênia Biffi. A investigação é encabeçada pelo vereador Rangel Scandiuzzi (PSD), autor do requerimento, tendo Franco Ferro (PP) como vice-presidente e Sargento Lopes (PL) como relator, com prazo inicial de funcionamento fixado em 120 dias.

O foco principal da apuração é entender os motivos que levaram o conselho a reverter o tombamento provisório e verificar se os trâmites obedeceram às normas de preservação histórico-cultural, além de checar eventuais falhas administrativas, conflito de interesses ou desvio de finalidade.

A criação da CPI ocorreu após a comercialização do clube por R$ 6,75 milhões para as empresas DZ Empreendimentos Imobiliários, sediada em São Paulo, e Golden Business, de Ribeirão Preto. A transação foi divulgada em 30 de junho e estabelece o pagamento de R$ 2 milhões de entrada, com o restante parcelado em 30 vezes mensais com correção inflacionária.

Estabelecido em 1917 por imigrantes italianos e situado no bairro Campos Elíseos, o Palestra Itália representa um marco na trajetória social do município. O espaço chegou a congregar oito mil associados na década de 1970, mas enfrentou esvaziamento e endividamento nas décadas seguintes, chegando a 2024 com cerca de 500 sócios e um patrimônio avaliado judicialmente em R$ 17 milhões.

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