Por Equipe JK
A primeira temporada de Manual de Assassinato para Boas Garotas funcionava porque misturava suspense adolescente com personagens carismáticos e um mistério realmente envolvente. Já a 2ª temporada perde boa parte dessa força ao trocar o impacto do caso principal por uma trama menos interessante e emocionalmente vazia.
A nova fase adapta Good Girl, Bad Blood, segundo livro da saga escrita . Depois de resolver o assassinato que abalou sua cidade, Pip Fitz-Amobi, novamente interpretada , tenta abandonar a vida de investigadora. Porém, o desaparecimento de Jamie Reynolds faz a protagonista mergulhar em outro caso perigoso.
O problema é que a série nunca consegue fazer o público realmente se importar com Jamie. Mesmo com seis episódios, o desaparecimento do personagem parece pequeno diante de tudo que acontece ao redor, especialmente o julgamento de Max Hastings, acusado de abuso sexual.
Enquanto a investigação principal perde força rapidamente, o julgamento acaba se tornando a parte mais interessante da temporada. Manual de Assassinato para Boas Garotas retrata de forma pesada e realista a dificuldade de responsabilizar homens ricos e protegidos socialmente. Sempre que o foco está em Max, a trama ganha urgência e tensão.

Mistério perde força
Boa parte da temporada parece esticada além do necessário. Existem reviravoltas interessantes, principalmente no meio da narrativa, mas o suspense nunca alcança o mesmo peso da 1ª temporada. Falta perigo real, falta emoção e, principalmente, faltam personagens secundários mais desenvolvidos.
Cara e Lauren praticamente existem apenas para ficar irritadas com Pip, enquanto Connor continua preso ao papel de alívio cômico, mesmo em um momento onde deveria carregar grande peso emocional.
Ainda assim, Emma Myers entrega uma atuação muito acima do material que recebe. A atriz mostra uma Pip mais cansada, frustrada e impulsiva, sem perder a humanidade da personagem. Conforme a protagonista percebe que pessoas poderosas continuam escapando das consequências de seus atos, Manual de Assassinato para Boas Garotas começa a explorar um lado mais sombrio da jovem investigadora.
Zain Iqbal também segue funcionando bem como Ravi, embora o relacionamento entre ele e Pip perca parte da química que tinha anteriormente.
Já Henry Ashton consegue transformar Max Hastings em um personagem genuinamente desconfortável de assistir. Mesmo sendo claramente o vilão da história, o ator evita exageros e entrega alguns dos melhores momentos da temporada.
Apesar de irregular, a série deixa caminhos abertos para uma possível continuação. Existe uma boa base emocional em Pip e em seus conflitos internos, mas a temporada claramente sofre por adaptar um livro que não possui material forte o bastante para sustentar tantos episódios.
No fim, a 2ª temporada de Manual de Assassinato para Boas Garotas funciona mais pelos atores do que pelo mistério que tenta contar.
Nota: 2 de 5 estrelas