Por Equipe 016
| Por: Adalberto Luque |
A Polícia Militar do Estado de São Paulo escreveu um capítulo histórico na manhã desta quarta-feira (29). Pela primeira vez desde sua fundação, há quase dois séculos, a Corporação tem uma mulher à frente do Comando-Geral da PM. A coronel Glauce Anselmo Cavalli, é a nova comandante-geral.
A cerimônia ocorreu na Academia de Polícia Militar do Barro Branco e contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que anunciou o nome da coronel no dia 15 de abril.
Em seu discurso, a coronel Glauce destacou que vai reforçar medidas de proteção a mulheres já existentes. Entre outros atos, ela pretende investir na Cabine Lilás, ampliando atendimentos por videochamadas e quer que os quartéis da PM acolham mulheres vítimas de violência.
A PM tem pouco mais de 13% de seu efetivo formado por mulheres. São 11 mil mulheres vestindo a farda em um universo de 81 mil policiais militares.
A nova comandante-geral também garantiu que a PM continuará diuturnamente nas ruas, mas destacou que quer atuação constante para coibir a violência doméstica, que ocorre, na maioria das vezes, em ambiente familiar, dentro de residências e longe dos olhos dos policiais e das câmeras que integram o Muralha Paulista.
“Violência doméstica não é algo novo, ela sempre existiu e o estado de São Paulo, atento ao cumprimento do seu dever constitucional, por meio de ampliações de políticas públicas, em um primeiro momento demonstrou interesse em se registrar estes fatos, foram criadas as delegacias de defesa da mulher, deu ouvidos às vítimas por meio das cabines lilás. Sob meu comando, consolidaremos as cabines lilás nos centros de operações da Polícia Militar, ampliaremos o atendimento por videochamadas e abriremos os nossos quartéis para acolher estas vítimas com a implantação dos espaços em salas de operações para garantir acolhimento humanizado em todo o Estado”, disse a coronel.
Tarcísio, por sua vez, destacou a importância da mulher na Corporação, que começou com 13 mulheres que ingressaram na Força Pública (antecessora da PM) em 1955. “Uma mulher vai liderar o combate ao crime, e esse combate ao crime exige resposta firme do Estado, e essa resposta sempre virá”, afirmou o governador.
Feminicídio
Ela assume a Corporação num momento conturbado, sobretudo na violência de gênero. O estado tem registrado altas históricas no número de feminicídios. O mesmo ocorre em todo o Brasil, com aumento nos casos de feminicídio e tentativas.
Contudo, um dos casos ocorreu no ambiente da PM. O feminicídio da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, ocorrido em fevereiro de 2026, segue com desdobramentos. A policial foi encontrada morta no dia 3 de fevereiro de 2026, com um tiro na cabeça em seu apartamento e, embora inicialmente tratado como suicídio, o caso foi reclassificado como feminicídio após investigações das polícias Civil e Militar.
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, marido da vítima, foi apontado como autor do crime e teve a prisão preventiva decretada em 18 de março. Em abril, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que ele será julgado por júri popular na Justiça Comum, afastando a competência da Justiça Militar.
O oficial teve a aposentadoria publicada pela Corporação com base em critérios de tempo e idade, enquanto responde a processo administrativo que pode resultar em sua expulsão. O inquérito policial militar está em fase final e também apura possível fraude processual na cena do crime.
Inquérito
Coronel Glauce assume no lugar do também coronel José Augusto Coitinho, que ficou cerca de um ano à frente da PM. Ele foi citado em uma investigação da Corregedoria da PM na investigação de participação de policiais militares como seguranças de membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O caso envolveu uma empresa de ônibus da Capital, supostamente ligada ao grupo criminoso, mas ainda segue em investigação.
Tarcísio teria garantido que a troca não teve relação com a investigação da Corregedoria da PM. “O coronel Coutinho tem uma reputação ilibada, é uma pessoa que sempre prestou excelente serviço na Polícia Militar. Essas trocas são comuns”, justificou. Na posse da nova comandante-geral, Tarcísio agradeceu o antigo coronel e evidenciou seu trabalho à frente da Corporação.
Quem é a nova comandante-geral da PM
Nomeada pelo governador Tarcísio de Freitas no dia 15 de abril, a coronel Glauce Anselmo Cavalli é a primeira mulher a assumir o Comando-Geral da Polícia Militar em seus quase dois séculos de existência.
Ela carrega em seu currículo os títulos de mestre e doutora em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública. É graduada em direito pela Universidade Cruzeiro do Sul e em educação física pela Escola de Educação Física da PM.
Antes de assumir ao Comando-Geral da PM, a coronel Glauce estava à frente da Diretoria de Logística da Corporação. Já esteve à frente do Comando de Policiamento de Área Metropolitana 2 (CPA/M-2), responsável por uma das regiões mais populosas da capital paulista.
Também foi chefe da Coordenadoria de Assuntos Jurídicos do Comando-Geral e dirigiu o Centro de Comunicação Social da PM, entre outras funções exercidas.
Tem 50 anos e ingressou no Curso de Formação de Oficiais da Academia de Polícia Militar do Barro Branco em 1994, formando-se em 1997, iniciando então sua elogiada carreira na Corporação.