Por Equipe JK

A Copa do Mundo chega ao fim neste domingo (19), no New York New Jersey Stadium, em East Rutherford, Estados Unidos, onde a Espanha enfrenta a Argentina a partir das 16h (de Brasília). O duelo de gerações marca a provável despedida de um dos maiores da história e a consolidação de um novo talento para as próximas décadas.

O lado argentino vai a campo animado para dar a Lionel Messi um adeus com final feliz em Mundiais. O craque de 39 anos indicou que não deve mais disputar o torneio depois desta edição.

Essa será a terceira final de Copa do camisa 10, que ficou com o vice-campeonato no Brasil, em 2014, e ergueu a taça mais im , em 2022. Agora, ele busca, na sexta participação, seu bicampeonato e o segundo título consecutivo da Argentina.

Caso a decisão seja vencida, esta será, ainda, a quarta taça do mundo na história da Alviceleste, campeã em 1978, 1986 e 2022, além de finalista, agora, em sete ocasiões – ultrapassou o Brasil, com seis, e está atrás somente da Alemanha, com oito. Independentemente do resultado, a atual : sete, até o momento.

Esse era o número de partidas disputadas pelos quatro primeiros colocados até 2022. No entanto, com a ampliação de 32 para 48 equipes, uma fase a mais foi inaugurada neste ano, o que aumentou o número de jogos dos melhores para oito. Até o meio da última semana, a melhor campanha dos “hermanos” havia sido conquistada no título de 1986, com seis vitórias, um empate e atuações memoráveis de Maradona.

Divulgação/AFA e Divulgação/SEFutbol

Na última quarta-feira, Messi e seus companheiros romperam a marca no triunfo épico por 2 a 1 sobre a arquirrival Inglaterra, em um duelo marcado , que ainda repercutem a inimizade motivada pela Guerra das Malvinas, em 1982.

Na semifinal desta edição, os britânicos saíram na frente. Contudo, na reta final, Messi deu duas assistências para gols de Enzo Fernández e Lautaro Martínez, que garantiram a classificação e o 100% de aproveitamento.

“Não tenho palavras. Alegria enorme para nosso país, nosso povo. Fico surpreso. Vamos continuar tentando ganhar. Fica até difícil falar. É difícil para que as pessoas entendam o que nossos jogadores estão fazendo em campo. Somos únicos. Não é arrogância, olha só o que estão fazendo”, disse o emocionado técnico Lionel Scaloni.

Antes da história semifinal, a Argentina passou da primeira fase na liderança do Grupo J ao derrotar Argélia (3 a 0), Áustria (2 a 0) e Jordânia (3 a 1). No segundo estágio, sofreu para despachar a valente seleção de Cabo Verde, na prorrogação, por 3 a 2. Nas oitavas de final, outro drama, desta vez contra o Egito, em mais um 3 a 2, agora de virada. Já nas quartas, mais uma vitória na prorrogação, por 3 a 1, diante da Suíça.

Desgastada , a “Scalonetta” pode ter uma mudança. Preservado no 11 inicial contra a Inglaterra e colocado em campo somente no segundo tempo, o volante Rodrigo De Paul pode retornar à equipe. Uma provável escalação tem: Emiliano Martínez; Nahuel Molina, Cristian Romero, Lisandro Martínez e Nicolás Tagliafico; Leandro Paredes, Rodrigo De Paul (Giuliano Simeone), Enzo Fernández e Alexis Mac Allister; Lionel Messi e Julián Álvarez.

Passado, presente e futuro

A final deste domingo é mais do que um jogo: é o fechamento de um ciclo, a abertura de outro e um encontro para a história. O que hoje é o território argentino passou três séculos sob controle espanhol, e a influência ibérica pode ser observada até hoje, de diversas formas, como na cultura, no idioma e na paixão pelo futebol.

Até hoje, foram 14 embates entre os times, com seis vitórias para cada lado e apenas dois empates. O duelo mais recente terminou na maior goleada da história do confronto: 6 a 1 para a Espanha, em amistoso disputado em 2018. Fora jogos amigáveis, apenas uma partida foi disputada . Na Copa do Mundo de 1966, a Alviceleste levou a melhor por 2 a 1, ainda na fase de grupos.

O encontro de 60 anos atrás, desta forma, é o mais im . Poderia ser diferente, já que as duas seleções, atuais campeãs de seus continentes, deveriam ter se encontrado na Finalíssima, a “recopa” dos vencedores. , que receberia o jogo, e de discordâncias entre a Uefa e a AFA, o compromisso, então marcado para o último mês de março, foi cancelado.

A seleção da Argentina tem mais tradição no es . Finalista na primeira Copa do Mundo, em 1930, quer se juntar a Alemanha e Itália na prateleira das tetracampeãs, atrás somente do Brasil, que é penta. Já a Espanha disputará apenas sua segunda decisão. Na primeira, em 2010, bateu a Holanda por 1 a 0, na prorrogação, e ficou com o título na África do Sul.

Apesar da distância histórica entre as equipes nacionais, a capacidade de revelar talentos dos dois países é inquestionável. Os sul-americanos desenvolveram craques históricos como Diego Maradona, Mario Kempes e Juan Román Riquelme. Já os europeus desenvolveram atletas que ajudaram a moldar o futebol moderno, como Andrés Iniesta, Xavi e Sergio Ramos.

Primeiro encontro entre os craques de diferentes gerações foi em 2007 | Créditos: Joan Monfort/S

Argentinos e espanhóis também mudaram a modalidade juntos. Nascido em Buenos Aires e um dos maiores ídolos do Real Madrid, Alfredo Di Stéfano atuou pelas duas seleções. Já no presente, Messi, o principal nome do futebol neste século, também passou pelas duas nações: nasceu na Argentina, mas apareceu para o mundo com a camisa do Barcelona.

“[A Espanha] é uma seleção enorme, com grandes jogadores, um grande jogo. Uma seleção que conheço bem. Joguei . Grandes jogadores que enfrentei muitas vezes no Barça. Será uma partida especial, uma final de Copa do Mundo”, afirmou o craque.

O clube catalão é o “pano de fundo” da história digna de cinema desta final. Ex-camisa 10 do Barça, Messi atualmente joga no Inter Miami, dos Estados Unidos. Enquanto caminha para o fim de sua gloriosa carreira, o meia-atacante terá pela frente, do outro lado, um novato. Aos 19 anos, Lamine Yamal é o atual dono do número 10 blaugrana e o sucessor do adversário argentino na equipe espanhola.

Mas se engana quem pensa que essa é a única coincidência que conecta os principais nomes desta final. Em 2007, o então promissor Messi, de 20 anos, realizou um ensaio fotográfico para arrecadar fundos em prol da Unicef. Na ação, o jogador deu banho em um bebê de apenas cinco meses. Era Yamal, que vai concluir sua estreia em Copas com uma final que coloca frente a frente passado, presente e futuro, e deve encerrar a história do ídolo argentino na competição.

“Meu pai guardou as fotos e elas nunca saíram, basicamente . Ninguém ficaria incomodado em ser comparado ao melhor jogador de todos os tempos, mas isso pode ser algo que pode prejudicar você, ”, comentou o novo craque espanhol.

Espanha

Em busca de sua segunda taça, a Espanha quer confirmar o favoritismo que era atribuído à equipe antes do início do Mundial. Campeã da Eurocopa em 2024 e vice da Liga das Nações em 2025, a seleção comandada às fases derradeiras da disputa.

Com um futebol burocrático e de pouco brilho individual, o time passou na liderança do Grupo H com sete pontos após empatar com Cabo Verde (0 a 0), golear a Arábia Saudita (4 a 0) e superar o Uruguai (1 a 0). Embora o ataque não demonstrasse grande criatividade, a defesa se consolidou como a melhor do torneio e, no momento, tem apenas um gol sofrido.

Atual campeã, Argentina busca o quarto título mundial de sua história | Créditos: Hannah McKay/Reuters

No mata-mata, deixou pelo caminho apenas europeus: Áustria (3 a 0), 1 a 0), Bélgica (2 a 1) e a temida França (2 a 0), na melhor partida da Fúria. Antes de dominar o conjunto francês, , a Espanha precisou da capacidade de decisão de Mikel Merino em duas o . O volante, que também joga como centroavante, entrou nos minutos finais nas oitavas e nas quartas para classificar seu país duas vezes consecutivas.

“É espetacular poder viver esses dias, é um orgulho. (…) Não há coincidências. Quando você acredita nisso, fica com vontade de melhorar e causar impacto no jogo ao entrar em campo”, declarou o jogador do Arsenal.

Merino, todavia, deve permanecer como arma apenas para o segundo tempo ou a prorrogação nesta final em jogo único – caso o empate persista depois do tempo extra, a decisão será nos pênaltis. Luis de la Fuente deve manter a mesma base que levou a “Roja” à decisão e ir a campo com: Unai Simón; Pedro , Pau Cubarsí, Aymeric La ; Rodri, Fabián Ruiz e Dani Olmo; Álex Baena, Lamine Yamal e Mikel Oyarzabal.

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