O escritor Matheus Arcaro lança seu novo romance epistolar em evento gratuito na Biblioteca Sinhá Junqueira.

O escritor, professor e mestre em Filosofia Matheus Arcaro lança seu nono livro, As Máscaras de Nietzsche, publicado pela Editora Patuá. No romance, o autor parte de um recurso ficcional — a descoberta de supostas cartas inéditas escritas por Friedrich Nietzsche durante sua internação em uma clínica psiquiátrica na Alemanha — para construir uma narrativa que aproxima literatura, filosofia e episódios da trajetória pessoal e intelectual do pensador. O lançamento em Ribeirão Preto ocorre no dia 15 de agosto, sábado, às 10h, na Biblioteca Sinhá Junqueira, com bate-papo entre Arcaro e o público sobre as relações entre literatura e filosofia. A participação é aberta e gratuita.

Com 134 páginas e estruturado como ficção epistolar, o romance situa as correspondências em 1889, período em que Nietzsche esteve internado na clínica psiquiátrica de Jena. As cartas são endereçadas alternadamente a Apolo (símbolo da razão e da ordem) e Dionísio (patrono do frenesi e da embriaguez), figuras que também ocupam papel central no pensamento do filósofo desde seus primeiros trabalhos.

A partir dessas correspondências imaginárias, o leitor acompanha Nietzsche revisitando seus traumas de infância, seus assombros intelectuais, suas paixões e a tempestuosa relação com o compositor Richard Wagner. A obra traz à tona novas nuances dos afetos de Nietzsche por sua mãe, seu pai, sua irmã, e por figuras fundamentais de sua constelação afetiva e intelectual, como Espinosa, Schopenhauer e Lou Salomé.

A estrutura narrativa do livro joga com os limites do real e da ficção. O texto abre com uma nota do organizador que contextualiza o achado casual dos manuscritos, em 2002, sob os escombros do antigo manicômio após sua demolição, além de contar com um não-prefácio assinado por Oswaldo Ernani Scarlett. “Essa arquitetura de espelhos e disfarces fundamenta o próprio título da obra: a máscara não como mentira grosseira, mas como ferramenta estética indispensável para expressar as verdades humanas mais profundas”, explica Matheus Arcaro.

Mestre em Filosofia Contemporânea pela Unicamp, Arcaro tem a obra de Nietzsche entre seus campos de estudo. No novo romance, contudo, a referência filosófica funciona como matéria para a construção ficcional, e não como ponto de partida para um ensaio acadêmico.

O escritor e crítico literário Sérgio Tavares destaca a combinação entre essas diferentes dimensões: “Em ‘As Máscaras de Nietzsche’, Matheus Arcaro conduz o leitor por um labirinto onde história, filosofia e literatura transitam pela tênue fronteira entre sanidade e loucura. Arcaro explora, com domínio técnico e maestria criativa, as possibilidades da imaginação, ao propor um mergulho profundo na psique de um gênio em seu momento mais conturbado. Com uma narrativa que desafia os limites entre realidade e ficção, essa é uma obra indispensável para quem deseja espreitar, por trás da máscara do gênio, a humanidade vibrante e sofrida de um dos maiores pensadores de todos os tempos.”

O escritor João Anzanello Carrascoza, autor do texto de orelha do livro, aponta para a tradição epistolar utilizada e para os elementos ficcionais incorporados à biografia de Nietzsche. “Digamos que os enunciados das cartas revelam os mistérios sentimentais de Nietzsche, seus sonhos secretos (principalmente o de ser compositor e o estranho encontro com Jesus), seus assombros literários (por exemplo, com ‘Memórias póstumas de Brás Cubas’, do nosso Machado de Assis) e muitas outras nuanças desse espírito único na história da filosofia. Digamos, ainda, que a regência desse material coube ao talento ficcional de Matheus Arcaro, escritor que vem, há tempos, nos mostrando o vigor e a inventividade de sua prosa. Ao terminar a leitura, nada melhor que reverenciá-la com o silêncio. O silêncio que emerge ao final de uma grande obra literária.” Carrascoza é vencedor de prêmios como Jabuti, Biblioteca Nacional e APCA.

A partir de seu romance e do pensamento de Nietzsche, Matheus Arcaro propõe um bate-papo na Biblioteca Sinhá Junqueira sobre as intersecções entre literatura e filosofia. De acordo com Arcaro: “A Filosofia sempre almejou a Verdade, porém, no século XX, vários fatores mostraram que, talvez, essa Verdade não exista. Eis que a Filosofia buscou se agenciar de elementos não filosóficos, sobretudo literários. Assim, a Literatura passou a ocupar lugar de destaque como um dos meios mais eficazes para se explorar as profundezas da condição humana”, comenta. O encontro é voltado a leitores e interessados em literatura, filosofia e artes.

Matheus Arcaro é Mestre em Filosofia Contemporânea pela Unicamp, pós-graduado em História da Arte e graduado em Filosofia e em Comunicação Social. É professor, palestrante e escritor. ‘As máscaras de Nietzsche’ é seu nono livro publicado. De sua produção anterior, destacam-se o romance ‘O lado imóvel do tempo’ (2016); as coletâneas de contos ‘Violeta velha e outras flores’ (2014), ‘Amortalha’ (2017) e ‘A origem do mundo’ (2023); a obra de poesia ‘Um clitóris encostado na eternidade’ (2019); além de ensaios e artigos no campo da literatura, da filosofia e das ciências humanas.

Serviço
Livro: As Máscaras de Nietzsche
Autor: Matheus Arcaro
Editora: Patuá
Gênero: Romance / Ficção Epistolar
Páginas: 134
Em Ribeirão Preto: Lançamento e bate-papo em 15 de agosto de 2026, sábado, às 10h.
Local: Biblioteca Sinhá Junqueira (R. Duque de Caxias, 547 – Centro)
Vendas online: http://www.editorapatua.com.br