Por Equipe JK
Novos dados do INCA reforçam a urgência do diagnóstico precoce e do enfrentamento de crenças que adiam o cuidado
Mesmo com os avanços da medicina e o maior acesso a informação, mitos ainda afastam grande parte da população da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer. O alerta se intensificou com dados recentes divulgados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), que estimam 781 mil novos casos da doença 2026–2028, número que representa um aumento de aproximadamente 10,9% em relação à estimativa anterior, de 704 mil casos anuais para o período de 2023 a 2025.
“Não sinto nada”
Na prática, muitos tipos de câncer se desenvolvem de forma silenciosa, o que significa que a ausência de sintomas não indica, necessariamente, que a pessoa esteja saudável. Tumores de mama, próstata, intestino e tireoide, , podem evoluir lentamente . “Grande parte dos diagnósticos acontecem justamente nos exames de rotina, quando o paciente não sente nada. Esperar os sintomas pode significar perder o melhor momento para o tratamento”, explica o oncologista Carlos Fruet.
“Sou jovem”
“A idade deixou de ser um fator de proteção”, alerta Fruet. Acreditar que o câncer é uma doença restrita aos idosos é um mito recorrente. Os dados recentes, , contrariam essa percepção. Segundo o Painel Oncologia, do DataSUS, o número de diagnósticos entre pessoas de 18 a 50 anos cresceu 284% entre 2013 e 2024, chegando a 174,9 mil novos casos anuais, o que tem mudado o perfil da doença no país.
“Maus hábitos adquiridos precocemente, como tabagismo, consumo de álcool, alimentação baseada em ultraprocessados, obesidade e sedentarismo, têm impacto direto nesse cenário.”, continua o médico.
“Não tenho histórico familiar”
A ausência de casos na família também costuma gerar uma falsa sensação de segurança. Dados do INCA indicam que apenas de 5% a 10% dos casos de câncer têm origem hereditária. “O histórico familiar aumenta o risco, mas não tê-lo não significa estar imune. O câncer pode surgir influenciado ”, afirma o médico.
“Depois eu vejo”
A rotina corrida faz com que os exames preventivos fiquem em segundo plano, o que contribui para diagnósticos tardios. Nesse contexto, os hábitos saudáveis ganham ainda mais im .
“Exame sempre acha problema”
O receio de descobrir alterações ainda afasta muitas pessoas dos consultórios, mas a lógica deve ser justamente o oposto. Quanto mais cedo uma doença é identificada, maiores são as chances de tratamento eficaz e menos agressivo. “A detecção precoce amplia significativamente as chances de um desfecho positivo e de tratamentos menos invasivos”, finaliza Fruet.