Por Equipe JK

As oficinas da iniciativa revelam uma mudança de perspectiva: dispositivos deixam de ser passivos e passam a ser instrumentos de expressão

Entre salas cheias, corredores em movimento e mãos ocupadas criando, o Museu Vivo transformou a Escola Arte do Museu em um espaço pulsante de encontros. Este ano, o evento reuniu 20 oficinas, e mais de 50 professores e 100 famílias – números que ajudam a dimensionar, mas não esgotam, a experiência vivida.

Ao longo do dia, era possível observar algo que ia além das atividades propostas. Pais e filhos dividiam o mesmo tempo e o mesmo fazer, enquanto educadores conduziam experiências nas quais a tecnologia deixava de ser apenas ferramenta de consumo e assumia um papel ativo na criação.

Para a diretora pedagógica Maria Cecilia Migliorini, o evento também é um espaço de reflexão sobre o tempo em que vivemos. “Somos todos estrangeiros nas novas fronteiras colonizadas pela tecnologia. Nelas, novas e antigas gerações enfrentam desafios distintos”, afirma.

Segundo a diretora artística Maria Bernadete Sampaio, enquanto aqueles que viveram em tempos analógicos lidam com novos ritmos e linguagens, os mais jovens enfrentam o desafio de uma atenção cada vez mais disputada. “Todos, em comum, se questionam: como aproveitar os benefícios da conectividade sem renunciar à presença, à qualidade e à humanidade?”, pondera.

Arte do Museu (maio de 2026) | Crédito: Divulgação

No Museu Vivo, essa pergunta encontra caminhos possíveis. As oficinas revelam uma mudança de perspectiva: dispositivos deixam de ser passivos e passam a ser instrumentos de expressão. A tecnologia, mediada pela arte, se torna ponte – entre gerações, linguagens, formas de pensar e criar.

A interação entre famílias evidencia esse movimento. Em vez de distanciamento, aproximação; em vez de consumo, criação; em vez de isolamento, comunidade.

Essa inversão, como aponta a diretora administrativa Vanessa Panico, revela o verdadeiro sentido da tecnologia: “não como uma força inexorável do progresso, mas como um conjunto de técnicas e habilidades aplicadas às ações humanas”.

Ao final, o que fica não são apenas os registros (ainda que muitos tenham sido feitos), mas a experiência compartilhada. Uma comunidade inteira mobilizada em torno da criação, da escuta e da presença. Porque, no fundo, como se percebe ao caminhar pelo evento, somos humanos, profundamente humanos.

Logo Arte do Museu | Crédito: Divulgação

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