Por Equipe JK

Como é tradição, o futebol de Ribeirão Preto celebra os dias mais im , quando os arquirrivais Botafogo e Comercial comemoram seus respectivos aniversários. O Pantera faz 107 anos neste domingo (12), enquanto o Leão do Norte completou 114 anos na última sexta-feira, com festa na loja oficial do clube, no Estádio Palma Travassos.

Os clubes da cidade vivem momentos distintos e estão mais distantes do que nunca no quesito divisões – o Tricolor está na elite do Campeonato Paulista e disputa a Série B do Campeonato Brasileiro e enxerga o rival longe, na modesta Série A4 do estadual. Mesmo assim, quem deve terminar o ano com mais esperanças de um futuro melhor é o Bafo.

O resgate alvinegro

Talvez nem mesmo o mais otimista comercialino imaginasse um fim de tem , que começou 2025 rebaixada pela segunda vez para o quarto nível do Paulista (que já não é mais a última divisão, como em 2018). As arquibancadas da Joia viam poucas pessoas dispostas a acompanhar o Leão e a única opção parecia a transformação da agremiação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF).

Logo em fevereiro, antes da queda, veio a primeira proposta, da Total Player, empresa dos irmãos e ex-jogadores Calucho e Paulo Jamelli. A diretoria admitiu a possibilidade de passar o comando do Comercial, mas tirou um tempo para analisar.

Com a sequência da tem , o descenso veio e o presidente Antônio Carlos Campanelli decidiu fazer mudanças: contratou o veterano Pinho para o cargo de gerente de futebol, que trouxe Roberval Davino para comandar o time na Copa Paulista. Com pouco dinheiro, o Leão apostou no “poder da amizade”. Alguns atletas da Série A3 permaneceram, enquanto outros, como Carlos Bajé, chegaram indicados pelo técnico.

“Eu me acostumei com o Comercial e com Ribeirão Preto. Tenho um carinho muito grande pelo Comercial, pela cidade e pela torcida do Bafo”, disse, na época, Pinho.

“Minha vida como treinador foi assim: passei um tempo sendo campeão. (…) Depois, passei a tentar salvar alguns ‘pepinos’, algumas equipes que estavam mal. Dentro disso, chegou a vez de o Comercial, novamente, me procurar numa dificuldade”, destacou Davino, em sua apresentação.

Com o elenco formado, restava superar as dificuldades e, acima de tudo, a desconfiança da torcida. Logo de cara, Bajé foi quem chamou a responsabilidade e garantiu vitórias sobre Francana e Itapirense. Em seguida, o Bafo quebrou um tabu de dez anos e voltou a vencer um Come-Fogo, em casa.

A vitória no clássico animou a torcida e a campanha alvinegra continuou positiva. No returno da fase de grupos, mais uma vitória sobre o Botafogo, desta vez no Estádio Santa Cruz/Arena Nicnet, e classificação antecipada para o mata-mata.

Vice-líder da chave, o Comercial perdeu Bajé para o começo das eliminatórias, mas conseguiu bater a Inter de Limeira nos pênaltis, nas oitavas de final, e o forte São José, nas quartas, com vitórias na ida e na volta. Na semi, apesar de muita luta, o time foi eliminado pelo XV de Piracicaba e não conseguiu voltar a ter calendário nacional pela primeira vez desde 2003.

Mesmo assim, a torcida, que voltou a ocupar as arquibancadas do Palma Travassos, celebrou a campanha digna e exaltou o trabalho de Roberval Davino. A diretoria, então, foi rápida e renovou, na última semana, o contrato do treinador até o fim da Série A4. Agora, a meta é renovar com boa parte do elenco.

“Eu quero sempre ser o Barcelona ou o Real Madrid, mas infelizmente não é para todo mundo. Então você tem um Comercial sofrido, com a torcida que gosta demais do clube, e praticamente a gente fez uma equipe de guerreirinhos”, enfatizou Davino.

Junto com a boa campanha e a retomada do orgulho comercialino, o clube também recebeu mais uma proposta de um grupo de investidores, desta vez liderado pelo empresário Marcelo Zaparolli, que teria o técnico Nelsinho Baptista como executivo de futebol. A ideia, que passa , é injetar dinheiro no time até o fim da gestão de Campanelli, em 2027, com a intenção de “preparar o terreno” para uma futura SAF.

O drama tricolor

Raros têm sido os anos em que a parte alvinegra de Ribeirão Preto chega ao fim mais feliz. Em 2025, , é o que pode acontecer, independentemente de rebaixamento ou não do Botafogo para a Série C. A longa má fase dentro de campo, que vem de outras tem , faz com que o torcedor sinta quantidades incômodas de “água no chopp” no aniversário tricolor.

Assim como no ano passado, o time não consegue engrenar. O sonho de seguir o exemplo do Mirassol e brigar pelo acesso à primeira divisão do Brasil não se concretizou e o Pantera tenta, mais uma vez, não cair. O clube, que celebra mais um ano de vida, tem sete partidas pela frente no ano para somar o máximo de pontos que conseguir.

No momento, a equipe ocupa a 17ª posição, com 32 pontos, e tem quatro de desvantagem para o primeiro time fora do Z-4, que soma 36. Matematicamente, não é uma tarefa impossível, mas as apenas oito vitórias em 31 partidas e a evidente instabilidade do grupo de jogadores deixam o objetivo mais distante.

Após seis jogos sem vencer na Série B, o Tricolor voltou a sair de campo contente ao bater o lanterna Paysandu por 1 a 0, em casa, diante de apenas 1.006 pessoas – pior público do clube no ano –, na última terça-feira. Um dos destaques foi a defesa, que, apesar de ser a segunda pior da competição (46 gols sofridos), conseguiu passar 90 minutos sem ser vazada. Esse, para o zagueiro Ericson, é o grande trunfo para que o time se mantenha no segundo nível nacional em 2026.

“É incômodo isso, o tanto de gols que a gente sofreu, mas ter essa regularidade agora no final vai ser im . Quanto menos a gente tomar, tenho certeza de que a gente vai fazer. Conseguir deixar o placar zerado vai ser im . A gente trabalha para isso, para melhorar, e não são só os defensores que passam , mas a parte da frente e o meio-campo. Tem de enaltecer também quando a gente sai zerado, ”, disse.

A retaguarda, todavia, perdeu uma de suas peças na quinta-feira, quando o zagueiro Edson teve seu contrato rescindido após ser expulso contra o Coritiba e, na sequência, agredir o lateral Zeca, do Coxa, com um tapa na cara. Sem Allan Aal, demitido do comando técnico, a equipe foi comandada pelo interino Ivan Izzo, que comemorou no vestiário depois do triunfo do meio de semana.

“Vocês não merecem passar . Vocês trabalham, são unidos, se ajudam, falam. Vocês não estavam merecendo passar . A situação ainda é crítica, temos que ser conscientes. Não podemos nos deixar levar . Já tivemos experiência disso. Podemos recuperar? Podemos, temos condições. Só foi um jogo. Faltam sete”, exaltou.

Apesar do alívio contra o Papão, o Bota ainda é um dos quatro times com mais chances de ser rebaixado na Série B, segundo o Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Para alcançar os 45 pontos, número que evitou o descenso nas últimas seis edições, o Tricolor terá de somar mais 13 em sete jogos – ou seja, quatro vitórias e um empate.

O próximo adversário é a forte Chapecoense, que briga pelo acesso, na Arena Condá, nesta terça-feira, às 19h30. Na sequência, os embates serão com Cuiabá (em casa), Novorizontino (fora), Volta Redonda (fora), Amazonas (em casa), Criciúma (fora) e Avaí (em casa).

Foto 01:

Comercial levou a melhor nos dois encontros com o Botafogo na Copa Paulista

(Raul Ramos)

Foto 02:

Bafo superou desconfiança e quase garantiu calendário nacional para 2026

(Raul Ramos)

Foto 03:

Pantera tem a difícil missão de evitar o retorno à Série C

(Raul Ramos)

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