Por Equipe 016
| Por: Adalberto Luque |
A operação resultante de uma investigação sobre um escritório que movimentava grande montante financeiro com a venda de drogas e contrabando levou a Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes da Divisão Especializada de Investigações Criminais (DISE/DEIC) a uma das primeiras apreensões de “crumble”, também conhecida por “super maconha”.
A apreensão ocorreu em Ribeirão Preto. Segundo o delegado Diógenes Santiago, que coordenou as investigações, os casos de apreensão da “crumble” não são frequentes, mas mostram que a droga já está sendo vendida em Ribeirão Preto. Segundo Santiago, ela circula, principalmente, entre estudantes universitários com alto poder aquisitivo.
O “crumble é uma nova forma concentrada de maconha, com alto poder alucinógeno e que vem ganhando destaque em apreensões pelo Brasil. Enquanto a maconha tradicional tem entre 10% e 15% de THC, a nova droga pode chegar a 90%. Tem coloração amarelada, lembrando cera de abelha.
Outro ponto preocupante é o alto lucro que a droga proporciona ao traficante. Enquanto a maconha convencional é vendida a R$ 5,00 o grama, o “crumble” pode chegar a R$ 300. Especialistas alertam que a alta concentração de THC da droga pode causar efeitos colaterais intensos, dependências e danos à saúde do usuário.
Durante a apreensão, os policiais civis localizaram também outras drogas derivadas da maconha e também com concentração maior do que a convencional, como “dry” e “ice”. Além de grande quantidade de cigarros eletrônicos.
A apreensão
A ação ocorreu na noite de sexta-feira, 17 de abril, em um escritório localizado na rua Otto Bens, Ribeirânia, zona Leste de Ribeirão Preto. Segundo o delegado Diógenes Santiago, o local estava estruturado como se fosse uma empresa, mas destinado à ocultação, armazenamento e distribuição de entorpecentes e cigarros eletrônicos.
Um dos donos da empresa, denominada “Rei do Pod 016”, Daniel Aparecido Ferreira, era investigado pela Deic. Com evidências de que o local era usado para o tráfico e contrabando, os agentes pediram mandado de busca e apreensão, que foi concedido pela Justiça.
Ao entrar no local, os policiais civis confirmaram que o imóvel era usado para armazenamento e distribuição de entorpecentes derivados da maconha, em espécies conhecidas por “dry”, “ice” e “crumble”. Esta última tem maior poder alucinógeno e, consequentemente, maior preço.
“O Crumble é uma forma extremamente potente de extrato de maconha, considerada uma ‘supermaconha’ ou droga ‘gourmet’, que tem ganhado destaque em apreensões no Brasil desde 2025. Diferente da maconha tradicional, o ‘crumble’ passa por um processo químico de extração usando solventes (como butano ou propano), resultando em uma cera quebradiça e seca, com altíssima concentração de THC”, explicou Santiago.
Os policiais também encontraram 464 cigarros eletrônicos, produto que tem comercialização proibida no Brasil, por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Um dos investigados abordados na ação admitiu que a empresa chegava a faturar até R$ 3 mil por dia com a venda das drogas e dos cigarros eletrônicos.
Além de Daniel, foram presos seu sócio Guilherme Martins Alves Pereira, Juliandra Morelli Manoel (responsável por separar a droga encomendada pelos usuários) e Wanderson Wesley Henrique Falcão Belizário (que fazia a entrega das encomendas com uma motocicleta).
Todo o material ilícito foi apreendido. Os quatro foram levados para a sede da Deic. Todos foram presos em flagrante e encaminhados para unidades prisionais, ficando à disposição da Justiça. Daniel deve responder por tráfico de drogas, associação criminosa e contrabando. Seu sócio Guilherme vai responder por associação criminosa e contrabando.
Juliandra vai responder por tráfico de drogas, associação criminosa e contrabando. Em sua bolsa foram apreendidos oito comprimidos de droga sintética semelhantes a outros 10 apreendidos na empresa. Ela confessou que auxiliava na organização de pedidos e venda de cigarros eletrônicos.
Já Wanderson vai responder por associação criminosa e contrabando. Ele confessou que há algum tempo entregava os cigarros eletrônicos comprados na empresa. A reportagem não conseguiu o contato dos advogados dos envolvidos, mas o espaço segue aberto caso haja qualquer manifestação.