Por Equipe JK
A Netflix lançou uma das docusséries mais comentadas do ano: Michael Jackson: O Veredito, 3 episódios e um julgamento que parou o mundo em 2005. A série traz depoimentos de quem estava no tribunal: jurados, promotores, advogados de defesa, jornalistas investigativos e pessoas do círculo próximo de Michael Jackson.
Separamos as 10 revelações mais chocantes para você entender o que a série traz de novo.

10. O documentário que Martin Bashir revelou
Tudo começa com um documentário da BBC chamado Living With Michael Jackson, produzido pelo jornalista Martin Bashir em 2003. Nele, Michael Jackson aparece ao lado do menino Gavin Arvizo, de 12 anos, segurando a mão dele, falando com naturalidade sobre dividir a cama com crianças.
Em O Veredito, Bashir fala pela primeira vez com mais franqueza sobre esse encontro. Ele conta que ficou “de queixo caído” com as declarações que Michael fez na frente das câmeras.
O documentário da BBC foi exibido integralmente como prova durante o julgamento de 2005. E a reação dos jurados ao assistir foi, ela própria, reveladora.
9. Os jurados dançaram durante o julgamento
Essa é uma das cenas mais perturbadoras que a série reconstrói. Quando o documentário de Bashir foi exibido para o júri como prova, alguns jurados ficaram claramente abalados com o conteúdo. Mas outros foram vistos balançando a cabeça e dançando discretamente durante os trechos com músicas de Jackson.
É um detalhe, mas diz muito sobre o problema central do caso: era impossível separar o astro do acusado. A música criava uma barreira que a acusação jamais conseguiu derrubar completamente.

8. O acordo de 23 milhões de dólares de 1993
Antes do caso Arvizo, em 1993, um garoto chamado Jordan Chandler acusou Jackson de abuso sexual. A investigação chegou a um ponto crítico: a descrição que o menino fez dos órgãos genitais de Jackson batia com o que as autoridades encontraram num exame médico.
Mas antes que qualquer acusação formal fosse feita, a família Chandler fechou um acordo civil com o artista no valor de 23 milhões de dólares. O garoto se recusou a cooperar com o processo criminal após o acordo.
Michael Jackson nunca foi indiciado, mas a série deixa claro que esse episódio ficou como sombra permanente sobre a sua imagem, e que a promotoria usou esse histórico em 2005.
7. Os apelidos que Michael Jackson dava para crianças
Uma das cenas mais perturbadoras da série envolve um homem chamado Vincent Amen, que trabalhou para Jackson a partir de 2002 e era responsável por cuidar da família Arvizo durante as visitas ao Neverland Ranch.
Amen guarda até hoje um conjunto de Polaroids tiradas no rancho. Em uma delas, Star Arvizo, irmão mais novo de Gavin, escreveu à mão: “Eu te amo, meu pai Michael. Seu filho, Blowhole.”
Amen confirmou na série que “Blowhole” era um apelido que Michael Jackson dava para meninos jovens. Esse detalhe, até então pequeno, é enorme em implicação, e a série não precisa explicar nada. Ela simplesmente apresenta e deixa o telespectador tirar as conclusões.

6. O “Jesus Juice”
A série aborda um dos aspectos mais perturbadores das acusações: Jackson supostamente oferecia vinho para crianças em latas de refrigerante. O apelido que ele teria dado para essa mistura era “Jesus Juice”.
Segundo as acusações, essa era uma das formas pelas quais ele criava um ambiente de intimidade e dependência com os meninos que frequentavam o Neverland.
Esse detalhe faz parte do que especialistas em proteção infantil chamam de “grooming”, um processo gradual de aproximação e manipulação. A série não usa o termo com frequência, mas o apresenta de forma que o espectador entenda o padrão sem precisar de explicação.
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5. A mãe de Gavin derrubou o caso da promotoria
Uma das revelações da série vem dos próprios jurados que absolveram Jackson. Eles foram duros ao falar sobre Janet Arvizo, mãe de Gavin e principal testemunha da acusação.
O jurado número 1, Raymond Hultman, foi direto: “A credibilidade das testemunhas era muito baixa.” Janet ficou conhecida como uma testemunha volátil e confusa durante o depoimento.
Mas o que mais irritou o júri foi um gesto feito enquanto ela estava no banco das testemunhas: estalar os dedos na direção dos jurados. Segundo relatos, aquele momento foi visto como um sinal de desrespeito e acabou causando uma impressão negativa que eles não conseguiram ignorar.

4. Macaulay Culkin foi ao tribunal defender Michael
O ator Macaulay Culkin, que foi amigo próximo de Michael na infância, foi ao tribunal voluntariamente testemunhar a favor do cantor. Ele declarou que Jackson nunca tinha feito nada de errado com ele.
A presença de Culkin foi estratégica para a defesa. Ver um rosto conhecido e respeitado, alguém que o público havia acompanhado crescendo, defender Michael publicamente criou um contrapeso poderoso contra as acusações e na percepção do júri.
3. Debbie Rowe virou testemunha da defesa sem querer
A ex-esposa de Michael Jackson, Debbie Rowe, foi convocada pela promotoria com a expectativa de que ela falasse contra o cantor, mas o tiro saiu pela culatra. No banco das testemunhas, Rowe mudou completamente o tom e acabou beneficiando a defesa.
A série trata isso como um dos maiores erros estratégicos da promotoria durante todo o julgamento, e os comentaristas jurídicos ouvidos na série confirmam que aquele momento foi um ponto de virada que a acusação jamais conseguiu recuperar.

2. Michael quase não apareceu no dia do depoimento de Gavin
Num dos momentos mais estranhos do julgamento, Michael Jackson quase chegou tarde ao tribunal no dia em que o próprio acusador, Gavin Arvizo, prestaria depoimento. O motivo alegado foi um “machucado” ocorrido na madrugada anterior.
O episódio foi amplamente interpretado como mais um sinal do estado mental deteriorado do cantor durante o processo. O advogado Mark Geragos, que aparece na série, confirma que havia preocupações reais sobre se o Rei do Pop teria condições físicas e psicológicas de sequer aguentar o julgamento até o fim.
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1. A absolvição destruiu Michael Jackson de outro jeito
Michael Jackson foi absolvido de todas as acusações em 2005. Mas o biógrafo J. Randy Taraborrelli diz na série que o veredito, mesmo sendo a favor de Jackson, foi “destruidor de vida”.
“Michael sabia que muita gente achava que ele era culpado independentemente do resultado”, disse Taraborrelli. Michael Jackson passou os últimos quatro anos de vida (ele morreu em 2009, aos 50 anos) tentando convencer o mundo de sua inocência. Não conseguiu.
A série termina com essa ferida aberta: a absolvição legal nunca foi acompanhada por uma absolvição pública.
Os três episódios de Michael Jackson: O Veredito estão disponíveis na Netflix.