Por Equipe JK

Ex-assessores Marcos Fabiano dos Santos e Anna Paula Vincentin afirmam ter sido obrigados a devolver parte dos salários a Lincoln Fernandes

O comerciante Hagara Espresola Ramos, o popular Hagara do Pão de Queijo, protocolou nesta segunda-feira, 23 de fevereiro, no Ministério Público de São Paulo (MPSP) e na Câmara de Ribeirão Preto, pedido de investigação contra o vereador Lincoln Fernandes (PL à suposta prática de “rachadinha” em seu gabinete.

Desde sábado (21), Hagara – era suplente de vereador pelo Partido Liberal, mas no final do ano passado deixou a sigla se filiou ao Avante –, tem postado em suas redes sociais vídeos cm acusações contra Lincoln Fernandes. Também postou depoimentos de dois ex-assessores do parlamentar.

Os ex-assessores Marcos Fabiano dos Santos, o popular Bim, e Anna Paula Vincentin afirmam ter sido obrigados a devolver parte dos salários para o parlamentar. Bim também afirmou que outros assessores chegaram a fazer empréstimos consignados em seus nomes e dado o dinheiro para o vereador.

Nos vídeos também foram divulgados comprovantes de supostos depósitos bancários que teriam sido feitos na conta do parlamentar. Anna Paula trabalhou com Lincoln Fernandes entre 2020 e 2024. Já Marcos Fabiano estava lotado no gabinete de 2017 e 2023.

Depois atuou na RP Mobi e com outros vereadores, como Franco Ferro (PP) e Isaac Antunes (PL) – era chefe de gabinete e pediu exoneração na última quinta-feira, 18 de fevereiro. Procurado, Lincoln Fernandes não havia se manifestado até o fechamento desta edição.

Em junho do ano passado, a Justiça de Ribeirão Preto condenou a o ex-vereador Sérgio Zerbinato (PSDB) a quatro anos de reclusão pela prática de “rachadinha” durante seu mandato parlamentar na 18ª legislatura, entre 2021 e 2024. Ele disputou as eleições do de 2024 e obteve 2.839 votos, mas não conseguiu se reeleger.

A irmã do parlamentar, Dalila Zerbinato Kinchin, que era acusada de ser beneficiária do esquema, também foi condenada. Além do crime de corrupção passiva, os dois viraram réus , mas foram absolvidos dessa acusação.

Eles recorreram ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Zerbinato também foi condenado ao pagamento de 20 dias-multa, fixado no valor de um salário mínimo (hoje de R$ 1.518), correspondente valor de R$ 30.360. Em 2021, o então parlamentar foi acusado ex-assessora Ivanilde Ribeiro Rodrigues de prática de “rachadinha” em seu gabinete.

Após investigações, do Ministério Público de São Paulo (MPSP), em 2023 a Justiça de Ribeirão Preto, , acatou a denúncia contra o vereador. Zerbinato foi acusado de ter comandado o esquema entre janeiro a agosto de 2021.

A denunciante foi assessora parlamentar direta do vereador, cargo comissionado, com salário de R$ 7.973,42. Deste total, segundo ela, R$ 3 mil seriam repassados para a irmã do parlamentar. O acordo teria começado quando foi nomeada, em 4 de janeiro de 2021 e durou até o início de agosto, quando foi exonerada do cargo.

Na época, a magistrada também negou o pedido do Ministério Público para que Zerbinato fosse afastado de seu mandato parlamentar, mas permitiu o compartilhamento das provas apresentadas no processo com a Mesa Diretora da Câmara de Ribeirão Preto.

O mandato do parlamentar já havia sido alvo de pedido de cassação, mas em 29 de março de 2022, com base em relatório da Comissão Processante aprovada para investigar o caso, a Câmara de Ribeirão Preto decidiu arquivar as denúncias.

O parecer foi elaborado pelo vereador e relator Franco Ferro (PRTB, hoje no PP). Foram 15 votos a favor de Zerbinato e quatro abstenções. A Comissão Processante afirmou também que, desde as primeiras denúncias, em 16 de dezembro de 2021, o prazo de 90 dias para a conclusão das investigações venceu .

Zerbinato sempre negou as acusações. Quando da denúncia do MP afirmou que como vereador eleito, tinha a obrigação de entregar para a população um trabalho de qualidade. “Essa cobrança sempre se entendeu a todos os meus assessores, inclusive Ivanilde”.

” , foi dispensada. Se houvesse qualquer prática que ela alega na denúncia, não teria -la, ainda no primeiro ano de mandato. O que ocorreu foi justamente o contrário”, afirmou na época.

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