Por Equipe JK
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) autorizou o leilão da casa de luxo e do imóvel comercial de Ana Paula Ferreira Duarte, a Ana Pink, e seu ex-marido Maiclerson Gomes da Silva, o Maik. A sentença foi assinada pelo juiz Sylvio Ribeiro de Souza Neto e publicada no dia 17 de novembro.
Nos autos, a defesa de Maick se manifestou informando que ele entrou com uma ação pedindo a reintegração de posse da casa e a cobrança de aluguéis. Também teria requerido ser depositário dos bens que tinha com a ex-mulher.
Já a defesa de Ana Pink considerou premeditado o pedido do Ministério Público de São Paulo (MPSP) para leiloar os imóveis, uma vez que o recurso ainda tramita e, em caso de absolvição de sua cliente, ela seria prejudicada.
O TJSP entendeu que há interesse público no leilão imediato dos imóveis, uma vez que os débitos já existentes são altos e continuam crescendo. A casa onde Ana Pink e Maick moravam, no condomínio Alphaville Residencial II, em Bonfim Paulista, está avaliada em mais de R$ 2,5 milhões, mas tem débitos de condomínio em torno de R$ 11.792.
O imóvel comercial fica na avenida Independência, Alto da Boa Vista. Nele a influenciadora e seu marido tinham um escritório onde atuavam. O imóvel comercial está avaliado em mais de R$ 1 milhão, mas tem dívidas de IPTU de R$ 12.004,08 e R$ 86.311,00 em taxas condominiais, além de R$ 120 mil de dívidas na Justiça do Trabalho.

Assim, o juiz entendeu que os argumentos das defesas de Ana Pink e Maik não são suficientes para impedir o leilão. Destacou que há interesse público para que isso ocorra, evitando assim que o acúmulo de dívidas diminua ainda mais os valores dos imóveis e que o valor arrecadado ficará retido para ser destinado a quem for de direito após a conclusão do processo judicial que envolve o caso.
O TJSP estabeleceu prazo de cinco dias após notificação dos advogados de defesa para as chaves do imóvel sejam entregues ao leiloeiro nomeado pela Justiça. Em caso de descumprimento, haverá cobrança de R$ 2 mil de multa diária .
Já a casa de luxo deverá ser desocupada. O TJSP deu 10 dias de prazo, também sob pena de multa diária de R$ 2 mil. A re , mas o espaço segue aberto para manifestação.
Relembre o caso
Ana Pink e Maick foram alvo de uma investigação realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo.
A apuração do Gaeco teve início em 2022 e apontou transações financeiras em nome de outras pessoas, obtenção indevida de dados do sistema previdenciário , saques vultosos e movimentações incompatíveis com a renda declarada. Eles foram presos em 17 de março daquele ano.
O casal firmava contratos em nomes de terceiros sem autorização. Ao menos 360 mil cidadãos tiveram informações pessoais expostas.

De acordo com o Gaeco, dados sigilosos de beneficiários eram obtidos junto a uma empresa de software no Vale do Paraíba, que invadiu e explorou a base de informações do INSS.
As planilhas adquiridas , segundo as autoridades, traziam detalhes como tipo de benefício, possíveis restrições, limites para crédito, banco e conta de recebimento.
Essas mesmas informações também eram coletadas , que possibilitavam o acesso remoto ao sistema previdenciário.
Ana Pink e Maick foram presos em março de 2022. Ela chegou a ser levada para a Penitenciária Feminina de Guariba, mas a defesa recorreu e a prisão passou a domiciliar, 12 anos.
Maick ficou preso até abril deste ano, quando obteve o benefício . Desde então, ele aguarda às apelações em liberdade e tem restrições a cumprir.
Ana Paula, todavia, voltou para a prisão. Ela foi levada para uma cela na Penitenciária de Ribeirão Preto no dia 14 de agosto. De acordo com a Justiça, ela descumpriu as medidas impostas na prisão domiciliar. Foram cerca de 60 transgressões constatadas pelo acesso eletrônico no condomínio onde cumpria a prisão domiciliar. A Justiça negou recurso da defesa de Ana Pink para que ela voltasse a cumprir prisão domiciliar. Ela segue presa.
Os dois foram sentenciados em abril de 2023 a nove anos de prisão , usado para lavar dinheiro e obter ilegalmente mais de R$ 10 milhões. Em maio de 2025, a pena foi ampliada para 13 anos. Ambos negam envolvimento nos delitos.