Por Equipe JK

O juiz José Roberto Bernardi Liberal, da 2ª Vara Criminal de Ribeirão Preto, iniciou às 10h00 desta segunda-feira, 20 de outubro, o júri popular que vai definir se a fotógrafa Brenda Caroline Pereira Xavier e culpada pelo homicídio do namorado, o corretor Carlos Felipe Camargo da Silva, ocorrido em 3 de março do ano passado.

Logo cedo, familiares de Felipe se reuniram na frente do Fórum, onde ocorre o julgamento, para protestar e pedir justiça. O advogado da família e assistente de acusação, Mário Badures, disse que a expectativa da família é pela pena máxima, relatando que Felipe era um jovem calmo, de valores, educado, batalhador e disciplinado.

“Um contraste com quem se senta no banco dos réus, marcada , seu materialismo”, disse, referindo-se a Brenda Caroline. Para Badures, trata-se de um crime macabro e sanguinário, onde Carlos Felipe foi vítima de nove golpes de faca, havendo inclusive seu evisceramento, o que derruba qualquer tentativa de provar que houve legítima defesa.

Familiares acompanham tribunal do júri e clamam Foto: Max Gallão Mesquita)

“A maneira pela qual o homicídio se deu, somado a toda dinâmica, somado a toda postura da ré, somado à questão da alteração da cena do crime […] a expectativa é que os jurados de Ribeirão Preto reconheçam, de fato, as três qualificadoras: motivo fútil, meio cruel e recurso que dificulta a defesa de Carlos Felipe”, conclui.

O advogado de Brenda Caroline, Alexandre Durante, não foi visto pela imprensa. Ele também não retornou às solicitações da re . Brenda, que está presa na Penitenciária de Pirajuí (SP) desde abril do ano passado, alegou legítima defesa.

Advogado da família de Carlos Felipe e assistente de acusação, Badures espera condenação da ré à pena máxima, com confirmação dos agravantes (Foto: Max Gallão Mesquita)

O promotor do caso é Marcus Túlio Nicolino. Ele manifestou que quer a condenação . Afirma que as provas são muito evidentes e as agressões que diz ter sofrido, no entender do MP, foram provocadas depois, como forma de mascarar a situação.

A expectativa é que o resultado seja conhecido somente na terça-feira (21). São sete jurados que vão ouvir testemunhas de acusação e defesa. Brenda está presente, vindo de Pirajuí, a 230 km de Ribeirão Preto.

Advogado de defesa, Alexandre Durante evitou contato com a imprensa antes do tribunal do júri e a acusada veio de penitenciária distante 230 km de Ribeirão Preto (Foto: Alfredo Risk)

Relembre o caso

Carlos Felipe Camargo da Silva nasceu em Praia Grande e tinha 29 anos. Veio para Ribei­rão Preto com a mãe e o irmão há cerca de um ano, onde co­nheceu Brenda Caroline, tam­bém de 29 anos. Havia sete me­ses que os dois moravam juntos, mas a relação era conturbada.

De acordo com o boletim de ocorrência (BO) que registrou o homicídio de Silva, o casal teria rompido em 2 de março. No dia seguinte, a mulher foi até a casa da mãe do corretor de imóveis, para onde ele tinha se mudado, no Adelino Simioni, Zona Norte de Ribeirão Preto.

Após conversarem no carro , ele entrou na casa da mãe dizendo que ele e a namorada voltariam a morar juntos, depois de a mulher re­conhecer que precisava mudar. Pegou suas roupas e foi embora para o Complexo Ribeirão Ver­de, Zona Leste, onde Brenda Caroline morava.

Ainda segundo o BO, no final da noite a mãe de Brenda Caroline teria ligado para a mãe de Silva informando que ele ha­via sofrido um acidente e estava na Unidade de Pronto Atendi­mento Nelson Mandela (UPA), no Adelino Simioni. A família foi até lá e encontrou Silva mor­to. Ele foi atingido ­pes de faca entre a cintura e o pescoço, segundo laudo oficial.

Carlos Felipe e Brenda Caroline tinham reatado relacionamento horas antes da morte do rapaz (Foto: Redes Sociais)

Na casa de Brenda Caroline a polícia não localizou celular e notebook da vítima. Também não encontrou Brenda. Havia si­nais de sangue em várias partes da residência. Um dos cômodos havia sido lavado. O laudo apon­tou que Silva teria recebido pelo menos nove facadas no tórax, costas, pescoço e face. O jovem foi sepultado na Praia Grande, em clima de revolta entre seus familiares e amigos.

Brenda Caroline compare­ceu à Delegacia de Homicídios da Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) no final da tarde de 6 de março. Estava acompanhada da mãe e de seu advogado, Alexandre Durante, que foi assistente de acusação e advogado de Arthur Paes Marques, pai do menino Joaquim, no julgamento mais im ­rão Preto.

Com um olho roxo e mui­to abalada, segundo Durante, Brenda Caroline alega legítima defesa. Disse que fraturou o na­riz e a costela devido às agres­sões que sofria constantemente , no final de semana, usou uma faca para se defender. Ela alegou ter dado três facadas na vítima após ser agredida, embora o laudo aponte pelo menos nove facadas.

“Eu jamais tiraria a vida dele, mas isso teve que ser feito para salvar a minha. Não foi a pri­meira agressão que sofri. Já teve outras e tenho prova disso”, disse à imprensa. O irmão da vítima, o entregador Bruno Camargo, re­bateu as acusações de Brenda Ca­roline. Disse que a ex-namorada sumiu com a carteira, o notebook e o celular do corretor de imóveis.

Brenda Caroline está presa desde 4 de abril, quando se apresentou à Polícia Civil acompanhada do advogado A prisão preventiva foi decretada no dia 3 de abril pelo juiz José Roberto Bernardi Liberal, da 2ª Vara Criminal de Ribeirão Preto, o mesmo que conduziu o Tribunal do Júri,

Foi detida : com ; alteração da cena crime – limpou a casa onde o casal morava e local do crime –, “excesso doloso” no número de facadas desferidas – a ré diz que foram três, laudo apontou nove, descartando a legítima defesa – e possibilidade de fuga, já que ela não se apresentou logo após o crime.

Alexandre Durante, advogado de Brenda Caroline Xavier, alega que a acusada sofreu constrangimento ilegal com a prisão e era vítima constante de violência doméstica, inclusive sofrendo fratura no nariz e na costela no dia da morte de Carlos Felipe Camargo da Silva. Também alega que sua cliente é ré primária, possui domicílio, emprego e compareceu espontaneamente à delegacia

A defesa de Brenda teve dois pedidos de habeas corpus negados pela Justiça. O delegado Rodolfo Latif Sebba disse que, além do número excessivo de facadas, a Polícia Civil também considerou as regiões do corpo da vítima onde os golpes foram desferidos. A Justiça acatou o pedido feito pela Polícia Civil e endossado pelo promotor Marcus Túlio Nicolino.

Rodolfo Latif Sebba indiciou a acusada . O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou a suspeita , premeditação e sem dar chance de defesa à vítima. Em depoimento, a vendedora admitiu ter matado o namorado em legítima defesa.

O delegado já havia descartado essa tese. A família de Silva questionava o desaparecimento do celular, da carteira e do notebook do rapaz e, nove dias depois do crime, dois dos três pertences foram entregues à polícia. O material passou .

Segundo informações, a família de Brenda Caroline Pereira Xavier encontrou a carteira e o celular na casa onde ocorreu o homicídio. O computador não foi localizado. O celular de Brenda Caroline passará . Seguindo a Polícia Civil, mensagens foram apagadas após o crime.

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