Por Equipe 016

Cerca de 70 milhões de pessoas convivem com transtornos alimentares em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, aproximadamente 11 milhões de casos são registrados, correspondendo a quase 5% da população.

A compulsão alimentar se destaca pela ingestão de grandes quantidades de comida em curto período, acompanhada de sensação de falta de controle e sofrimento psicossocial, de acordo com a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM).

O comportamento se diferencia por não estar ligado a uma necessidade fisiológica e pelo impacto emocional associado, explica Rafael Henrique Godoy, endocrinologista da Hapvida. “Geralmente, esses episódios vêm acompanhados de culpa, vergonha e sofrimento, o que não acontece em situações normais, como exagerar em uma festa”, detalha.

A avaliação é feita em consulta, a partir do relato do paciente e da observação do padrão de comportamento ao longo do tempo. “Para fechar o diagnóstico, é necessário que esses episódios aconteçam, em média, pelo menos uma vez por semana durante três meses”, afirma o médico.

Consequências para saúde

A condição pode afetar a saúde metabólica, especialmente quando relacionada ao ganho de peso e ao acúmulo de gordura visceral. “As consequências incluem resistência à insulina, aumento dos triglicerídeos e do colesterol, maior risco de desenvolver diabetes tipo 2, diminuição na produção de testosterona em homens e apneia do sono”, acrescenta.

O endocrinologista indica que alguns perfis exigem mais atenção no acompanhamento clínico. “Pacientes que já fizeram muitas dietas restritivas, pessoas com sobrepeso desde a infância, ou que têm ansiedade, depressão ou baixa autoestima, têm maior chance de desenvolver compulsão alimentar. Um sinal de alerta no consultório é quando o paciente diz: ‘Eu até começo a dieta, mas chega um momento que perco o controle’”, pontua o especialista.

Tratamento multidisciplinar

O cuidado com a compulsão alimentar envolve diferentes frentes e não se limita a uma única abordagem. A psicoterapia é a base do tratamento, podendo incluir diferentes abordagens, como a Terapia Cognitivo-Comportamental. “Também entra o acompanhamento nutricional e, em alguns casos, medicação”, orienta Godoy.

Por isso, a abordagem multidisciplinar é essencial para melhores resultados. “Dietas muito restritivas podem piorar o quadro, porque aumenta o risco de novos episódios. A medicação sozinha também não resolve, porque não trata o comportamento alimentar. Portanto, é preciso atuar ao mesmo tempo na parte emocional, comportamental e metabólica”, completa.

Aspectos emocionais

Questões emocionais e comportamentais estão relacionadas ao transtorno, influenciando a relação com a comida e a forma de lidar com situações do dia a dia. É o que explica Cristiane Viana dos Santos, psicóloga da Hapvida.

“A compulsão alimentar está associada à dificuldade que muitas pessoas têm de lidar com emoções como ansiedade, angústia, frustração e sensação de vazio. Nesses casos, a comida passa a funcionar como um regulador emocional imediato, trazendo alívio momentâneo. Há pacientes que descrevem o que chamamos de ‘fome emocional’, ou seja, uma sensação que não está ligada à necessidade física, mas a estados emocionais como tristeza ou tédio”, detalha.

Cristiane avisa que essa condição não é apenas falta de controle ou “fraqueza”, mas um padrão complexo que envolve aspectos emocionais, cognitivos e comportamentais.

“Esse transtorno pode trazer prejuízos importantes à saúde física e mental e, quando não tratado, tende a se agravar ao longo do tempo. Buscar ajuda profissional pode ser um passo importante para interromper esse ciclo e cuidar de si com mais gentileza. Com tratamento adequado, é possível interromper esses episódios e promover uma relação mais equilibrada com a alimentação e com o próprio corpo”, conclui a psicóloga.

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