Por Equipe JK
Depois de anos expandindo sua linha de ficção científica, a Apple TV finalmente encontrou um derivado à altura de For All Mankind. Em vez de repetir a fórmula da série original, Cidade das Estrelas segue um caminho próprio e transforma a corrida espacial soviética em um thriller político tenso, paranoico e surpreendentemente humano.
A série retorna ao ponto de divergência da produção principal, quando a União Soviética chega primeiro à Lua. Mas, diferente de For All Mankind, que sempre teve um olhar mais épico e emocional sobre a exploração espacial, Cidade das Estrelas mergulha no lado mais sombrio da Guerra Fria, focando espionagem, vigilância e manipulação política.
A trama acompanha o misterioso “Designer Chefe”, interpretado , responsável pelo programa espacial soviético. Ao seu redor surgem cientistas, engenheiros, agentes da KGB e cosmonautas vivendo sob constante pressão e monitoramento.

Espionagem acima da ficção científica
O maior acerto da série é justamente não tentar copiar For All Mankind. Cidade das Estrelas possui identidade própria, com visual mais frio, fotografia pesada e um clima constante de desconfiança. Em muitos momentos, a produção lembra mais um drama de espionagem do que uma série espacial tradicional.
A vigilância da KGB se torna peça central da narrativa. Personagens são observados o tempo inteiro, inclusive dentro de suas próprias casas, criando um clima sufocante que move praticamente todos os conflitos da temporada.
A série também aproveita bem personagens conhecidos do universo principal. Agnes O’Casey e Josef Davies conseguem expandir figuras importantes já mencionadas em For All Mankind, enquanto Anna Maxwell Martin entrega uma atuação intimidadora como a chefe da vigilância soviética.
Apesar disso, alguns elementos podem afastar parte do público. O ritmo é mais lento que o da série original e a fotografia extremamente escura atrapalha algumas cenas. A ausência de sotaques russos também soa estranha em certos momentos.
Ainda assim, Cidade das Estrelas funciona porque entende exatamente o tipo de história que quer contar. A série troca o espetáculo espacial por tensão política e paranoia constante, criando um derivado que consegue justificar sua existência sem depender apenas da nostalgia.
Nota: 4 de 5 estrelas