Por Equipe JK

Treze anos depois de seu último filme, Todo Mundo em Pânico está de volta aos cinemas tentando fazer exatamente o que sempre fez: zombar dos sucessos do momento e lembrar ao público que nada merece ser levado tão a sério.

A boa notícia é que Todo Mundo em Pânico consegue ser o capítulo mais engraçado da franquia desde o original de 2000. A má notícia é que ele também carrega muitos dos problemas que fizeram a série perder força ao longo dos anos.

A nova sequência concentra suas piadas principalmente na onda dos chamados “requels”, continuações que funcionam ao mesmo tempo como sequência e reinício de franquias famosas. Halloween e Pânico estão entre os principais alvos da sátira.

A história acompanha novamente Cindy Campbell, interpretada , que volta a enfrentar um novo assassino ao lado de personagens veteranos e uma geração mais jovem de protagonistas. A trama é apenas uma desculpa para conectar piadas, referências e situações absurdas, exatamente como os fãs esperam.

E, surpreendentemente, boa parte disso funciona.

Entre acertos e exageros

O maior mérito do filme é entender que a simplicidade sempre foi a principal arma da franquia. Quando aposta em humor físico, acidentes absurdos e situações completamente sem lógica, Todo Mundo em Pânico arranca boas risadas.

Anna Faris continua dominando o estilo exagerado que transformou Cindy em um dos rostos mais conhecidos da série. Marlon Wayans e Shawn Wayans também retornam confortáveis em seus papéis, trazendo parte da energia dos filmes antigos.

Entre os novatos, Olivia Rose Keegan se destaca. A atriz consegue reproduzir o ritmo cômico de Faris sem parecer uma simples cópia e acaba sendo uma das melhores surpresas do elenco.

O problema aparece quando o roteiro tenta ressuscitar piadas que já pareciam ultrapassadas anos atrás. Algumas brincadeiras dependem de estereótipos antigos e referências que já não possuem o mesmo impacto. Em certos momentos, a impressão é que o filme está mais interessado em repetir fórmulas do passado do que encontrar novas formas de provocar o público.

Existe também uma diferença entre ser ofensivo de maneira provocativa e simplesmente parecer cruel. Algumas cenas cruzam essa linha e acabam causando desconforto sem gerar qualquer ganho cômico.

Uma franquia que se recusa a mudar

O aspecto mais curioso de Todo Mundo em Pânico é que ele parece pouco interessado em se atualizar. Enquanto outras franquias tentam se reinventar para novas gerações, a série escolhe permanecer praticamente a mesma. Para alguns fãs, isso pode ser exatamente o que torna o retorno divertido. Para outros, evidencia o quanto o humor da franquia ficou preso ao início dos anos 2000.

Ainda assim, existe algo quase admirável na forma como o filme insiste em sua própria identidade. Ele continua debochado, bagunceiro e disposto a transformar qualquer assunto em piada.

Quando acerta, entrega momentos genuinamente engraçados. Quando erra, lembra por que tantas imitações da franquia fracassaram ao longo dos anos.

No fim das contas, Todo Mundo em Pânico não reinventa a série nem corrige seus defeitos históricos. Mas oferece risadas suficientes para justificar seu retorno e prova que ainda existe espaço para esse tipo de comédia no cinema atual.

Todo Mundo em Pânico está em cartaz nos cinemas.

Nota: 3 de 5 estrelas

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