Por Equipe JK

Todo mundo que cresceu nos anos 80 conhece a caveira roxa, o manto púrpura e aquela gargalhada irritante saindo de trás de um crânio flutuante. Esqueleto virou sinônimo de vilão genial muito antes de qualquer spin-off, reboot ou filme e agora, com Mestres do Universo chega aos cinemas em junho, uma nova geração vai finalmente descobrir quem é esse personagem.

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O começo: um demônio sem passado (1982)

Antes mesmo do desenho existir, os mini-quadrinhos que acompanhavam os bonecos da Mattel eram a principal fonte de histórias para os fãs de He-Man . Foi neles que, em 1982, o roteirista Donald F. Glut apresentou Esqueleto como um “demônio de outra dimensão” que acabou preso em Etérnia após as misteriosas Grandes Guerras, um evento que nunca recebeu muitos detalhes.

Naquela época, sua motivação era direta e sem complicações: conquistar o Castelo de Grayskull e usar seu poder para dominar o universo. Nessa versão inicial, Esqueleto chegou a ter uma Espada do Poder própria, funcionando como uma espécie de contraponto à arma de He-Man. O famoso Cajado do Caos, que mais tarde se tornaria sua marca registrada, só foi introduzido depois e acabou substituindo a espada de vez.

Outro detalhe curioso é que seu mundo de origem era chamado Infinita. A ideia apareceu nas primeiras histórias, mas foi sendo deixada de lado com o tempo, a ponto de ser praticamente esquecida até pelos próprios criadores.

A animação da Filmation e o vilão amamos odiar (1983–1985)

A versão que está gravada na memória afetiva de quem tem entre 35 e 55 anos é aquela da animação da Filmation, He-Man e os Mestres do Universo, que estreou em 1983. Ali, Esqueleto virou um vilão histérico, arrogante e que adorava humilhar seus capangas, conseguindo transmitir sua ameaça quando a história precisava.

Nessa fase, Esqueleto praticamente não tinha uma história de origem. Ele era simplesmente o grande vilão: governava a Montanha da Serpente, comandava seus seguidores e passava os episódios tentando conquistar o Castelo de Grayskull.

Foi apenas em 1985, no especial He Man & She Ra – O Segredo da Espada Magica, que Esqueleto ganhou os primeiros detalhes sobre seu passado. A história revelou que ele havia sido discípulo de Hordak, o líder da Horda do Mal em Etheria.

Segundo essa versão, quando Hordak tentou conquistar Etérnia e acabou derrotado pelas forças do rei Randor, deixando seu aprendiz para trás. Foi uma revelação simples, mas importante, porque transformou Esqueleto de um vilão genérico em alguém marcado pela rejeição e pelo abandono.

O irmão perdido: quando tudo mudou (1987)

O detalhe que mais mexe com a cabeça dos fãs veio num mini-quadrinho de 1987, perto do fim da linha de brinquedos. Em no arco “A Busca , descobrimos que o rei Randor tem um irmão desaparecido chamado Keldor, sumido em “dimensões além do tempo”. A história deixa a sugestão no ar: e se Esqueleto fosse esse Keldor, de alguma forma corrompido?

Quando a linha de brinquedos foi descontinuada e o filme live-action de 1987 com Dolph Lundgren chegou às telas, a Mattel largou esse fio solto sem amarrar. Frank Langella interpretou Esqueleto no longa, sem uma palavra sobre Keldor. O personagem era só poder, crueldade e ambição, sem história. Langella, aliás, sempre falou que considera aquele papel um dos seus favoritos na carreira inteira.

O reboot de 2002 e a confirmação da tragédia

A animação de 2002 foi onde a coisa ficou séria de verdade. Na série He-Man e os Mestres do Universo, Keldor finalmente ganhou um rosto, literalmente. Ele era um guerreiro de pele azul (descendente de uma raça alienígena chamada Gar), meio-irmão do rei Randor, excluído da linha de sucessão por ser filho ilegítimo e não ser totalmente eterniano.

O episódio de origem é brutal: Keldor lidera um ataque ao Salão da Sabedoria e enfrenta o príncipe Randor num duelo. Quando está prestes a perder, ele arremessa um frasco de ácido. Randor desvia. O ácido volta para o rosto de Keldor, que começa a se dissolver.

Em desespero, ele corre até Hordak, que usa magia negra para salvar sua vida transformando sua cabeça em um crânio flutuante. Esqueleto nasce ali, nesse momento de ódio, dor e traição de si mesmo. O que seria revelado em uma terceira temporada, que a produção não teve, é que ele e Randor eram irmãos de sangue.

Essa versão é amplamente considerada pelos fãs da franquia como a mais satisfatória do ponto de vista narrativo. Um vilão com ambição, com ferida, com uma identidade que ele mesmo apagou.

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Revelação e Revolução: Mark Hamill e o reencontro com Keldor

Quando a Netflix trouxe Mestres do Universo: Salvando Eternia em 2021, com Kevin Smith na direção criativa, Esqueleto ganhou a voz de Mark Hamill, uma escolha que sozinha já valia o preço da assinatura. Hamill entregou um Esqueleto ao mesmo tempo ameaçador e patético

Em Mestres do Universo: A Revolução (2024), a série sequência, a conexão com Keldor finalmente foi confirmada dentro do cânone original da franquia, a primeira vez que isso aconteceu diretamente nessa linha. O personagem de Keldor foi dublado por William Shatner.

Nessa versão, Keldor é o filho primogênito do rei Miro, nascido fora do casamento com uma mulher Gar, e por isso excluído da sucessão. Hordak manipula suas memórias após a transformação, fazendo-o acreditar que sempre foi um demônio interdimensional. Esqueleto passa décadas sem saber que é Keldor. Quando descobre, não gosta nem um pouco de quem fez isso com ele.

Esqueleto em 2026: Jared Leto

O filme live-action de 2026, dirigido por Travis Knight, faz uma escolha ousada logo de cara: quando a história começa, Esqueleto já venceu. Etérnia está sob seu domínio há 15 anos. He-Man, interpretado por Nicholas Galitzine, está longe, exilado na Terra como Adam Glenn, trabalhando num escritório sem memória de quem realmente é.

Jared Leto interpreta o vilão com voz e rosto completamente alterados pela produção, o que já levantou questões razoáveis sobre por que contratar um ator de alto perfil para esconder tudo.

O que o diretor Travis Knight explicou em entrevistas é que o objetivo não era mimicry: eles queriam honrar o que o dublador Alan Oppenheimer fez na animação original (aquele tom nasal, histérico, teatral) sem que o ator simplesmente fizesse uma imitação.

O resultado é um Esqueleto que o próprio Travis Knight descreveu como “engraçado, estranho, assustador e profundamente inseguro”.

Mestres do Universo está em cartaz nos cinemas.

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