A proposta de atualização do Instrumento de Avaliação Institucional Externa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), atualmente em fase de consolidação após consulta pública, traz mudanças que podem transformar a forma como as instituições de ensino superior serão avaliadas no Brasil. Entre os principais pontos estão a criação de políticas para o uso responsável da inteligência artificial, protocolos permanentes de saúde mental, ampliação da acessibilidade para estudantes neurodivergentes e novos critérios para a educação a distância.

Caso seja implementado, o novo instrumento passará a orientar os processos de credenciamento, recredenciamento e avaliação das instituições de ensino superior, elevando o peso de temas ligados à inclusão, inovação tecnológica, permanência estudantil e impacto social das atividades acadêmicas.

Antonio Marcos Neves Esteca. (Divulgação)

Segundo Antonio Esteca, especialista em avaliação e regulação da educação superior e avaliador do Inep/MEC, a proposta representa uma evolução importante na forma de avaliar a qualidade das instituições. “A avaliação deixa de observar apenas aspectos administrativos e passa a olhar, de forma mais integrada, como a instituição acolhe seus estudantes, utiliza a tecnologia de maneira ética, promove a inclusão e contribui para a sociedade. São temas que já fazem parte da realidade das universidades e que agora tendem a ocupar um espaço mais relevante nos processos de avaliação”, afirma.

Mudanças vão além da sala de aula

Entre as novidades propostas está a exigência de políticas institucionais para o uso responsável da inteligência artificial nos processos de ensino e avaliação, protocolos permanentes de acolhimento psicológico e prevenção ao suicídio, monitoramento dos índices de evasão e diplomação com recortes por gênero, raça e modalidade de ingresso, além da adaptação dos campos de estágio para estudantes com deficiência e neurodivergentes.

A proposta também amplia as exigências para a educação a distância, prevendo critérios relacionados à segurança digital, proteção de dados, viabilidade dos polos de apoio presencial e fortalecimento das atividades de extensão universitária, além de incentivar iniciativas de mobilidade acadêmica virtual.

Avanços e desafios para as instituições

Na avaliação de Esteca, as mudanças aproximam o ensino superior brasileiro de discussões internacionais sobre qualidade acadêmica, inovação e inclusão. “A incorporação de temas como inteligência artificial, saúde mental, acessibilidade e permanência estudantil acompanha transformações que já vêm ocorrendo em diversos sistemas de ensino superior no mundo. O desafio será transformar essas diretrizes em práticas efetivas dentro das instituições.”

Os custos das novas exigências

Na avaliação de Antonio Esteca, embora as mudanças representem avanços importantes para a qualidade do ensino superior, sua implementação exigirá investimentos significativos em infraestrutura, tecnologia, acessibilidade e equipes especializadas. Para o especialista, esse cenário poderá aumentar os custos operacionais das instituições e pressionar as mensalidades. “O desafio será garantir que essas novas exigências não ampliem as barreiras de acesso ao ensino superior. É preciso encontrar um equilíbrio entre a elevação dos padrões de qualidade e a sustentabilidade financeira das instituições, para que a inclusão não seja comprometida”.

Reflexos para a formação profissional

Para Esteca, o novo modelo também sinaliza uma mudança no perfil esperado dos futuros profissionais. “O mercado busca cada vez mais profissionais preparados para lidar com tecnologia, inovação, diversidade e responsabilidade social. A proposta do Inep aponta justamente para uma formação universitária mais alinhada com essas competências, aproximando a avaliação institucional das demandas contemporâneas da sociedade”, conclui.

Sobre o especialista

Antonio Esteca é graduado e mestre em Ciência da Computação pela UNESP, especialista em Gestão de Negócios pelo IBMEC-RJ e doutor em Psicologia pela PUC-Campinas. Atua no ensino superior desde 2013, com experiência em docência, gestão acadêmica, inovação educacional e desenvolvimento institucional. É avaliador institucional do INEP/MEC e acompanha de perto temas relacionados à qualidade e às transformações da educação brasileira. Atualmente, destaca-se também como uma das 10 vozes de maior influência no LinkedIn no mundo na área da Educação Superior.

Em sua pesquisa de doutorado, dedicou-se ao estudo da prevenção do bullying e do cyberbullying no contexto escolar, tema que dialoga diretamente com a formação de educadores e com a promoção de ambientes escolares mais seguros e saudáveis. Atualmente, é CEO e Diretor-Geral da Faculdade Metropolitana do Estado de São Paulo (FAMEESP), da Faculdade Metropolitana de Franca (FAMEF) e da Faculdade de Tecnologia, Ciências e Educação (FATECE).

Mais informações: linkedin.com/in/antonioesteca

Por Equipe JK

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