Feridas que não cicatrizam e rouquidão persistente estão entre os principais alertas para tumores de cabeça e pescoço, frequentemente diagnosticados tardiamente.
Feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente e caroços no pescoço estão entre os principais sinais de alerta para o câncer de cabeça e pescoço, doença que ainda costuma ser diagnosticada tardiamente no Brasil. Segundo estudo publicado na revista The Lancet Regional Health – Americas, quase 80% dos pacientes recebem o diagnóstico apenas em estágios avançados, o que pode dificultar o tratamento e reduzir as chances de cura.
Os sintomas frequentemente são confundidos com problemas comuns e, por isso, acabam sendo negligenciados. Entre os sinais que merecem investigação médica quando persistem por mais de duas semanas estão feridas na boca que não cicatrizam, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na cavidade oral, dor ou dificuldade para engolir, rouquidão, caroços no pescoço e perda de peso sem causa aparente.
De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar mais de 25 mil novos casos anuais de tumores de cabeça e pescoço no triênio 2026-2028. A doença pode atingir regiões como cavidade oral, laringe, faringe e cavidade nasal.
Os principais fatores de risco incluem o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, a infecção pelo HPV, especialmente relacionada aos tumores de orofaringe, e a exposição prolongada ao sol sem proteção nos lábios.
Após a confirmação do diagnóstico, o tratamento varia conforme o tipo, a localização e o estágio do tumor, podendo envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia, terapias-alvo ou a combinação dessas abordagens.
Especialistas alertam que a investigação precoce é fundamental. Embora nem toda alteração persistente represente um câncer, a avaliação médica diante de sintomas prolongados aumenta as possibilidades de diagnóstico em fases iniciais, quando as chances de controle da doença e de preservação da qualidade de vida são significativamente maiores.