Especialistas alertam sobre os principais sintomas do câncer de cabeça e pescoço, tumor que registra mais de 25 mil novos casos anuais no Brasil.
Quase 80% dos pacientes brasileiros com câncer de cabeça e pescoço recebem o diagnóstico apenas em estágios avançados da doença, conforme aponta um estudo divulgado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas. O dado alarmante destaca a relevância de identificar manifestações clínicas que frequentemente são confundidas com condições corriqueiras, mas que, ao persistirem por várias semanas, podem sinalizar o desenvolvimento desses tumores.
Entre os principais sinais de alerta que exigem atenção médica estão feridas na boca que não cicatrizam por mais de duas semanas, presença de manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na cavidade oral, rouquidão persistente, dor ou dificuldade para engolir, surgimento de caroços no pescoço e perda de peso sem causa aparente.
“Os primeiros sintomas costumam ser confundidos com problemas comuns ou simplesmente ignorados. Com isso, muitos pacientes procuram atendimento quando a doença já está mais avançada. Esse atraso pode aumentar a complexidade do tratamento e o impacto na fala, na mastigação e na deglutição”, explica o oncologista Carlos Fruet.
De acordo com projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve contabilizar, a cada ano durante o triênio 2026-2028, mais de 25 mil novos casos de tumores localizados na cabeça e no pescoço, atingindo regiões como cavidade oral, cavidade nasal, laringe e faringe.
O levantamento também aponta que os principais fatores de risco associados à doença são o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, a infecção pelo vírus HPV — ligada especialmente aos tumores de orofaringe — e a exposição solar sem proteção adequada nos lábios.
Confirmado o diagnóstico, o protocolo de tratamento varia conforme o tipo, a localização exata e o estágio em que o tumor se encontra, podendo abranger cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapias-alvo, imunoterapia ou a associação destas diferentes modalidades terapêuticas.
“Nem todo sintoma persistente será um câncer, mas alterações que permanecem por semanas precisam ser investigadas. Quando identificamos a doença precocemente, aumentamos as chances de controle e cura, além de preservar melhor a qualidade de vida do paciente. O maior desafio ainda é fazer com que as pessoas não normalizem esses sinais”, conclui Fruet.