Especialista orienta famílias sobre os impactos do tempo prolongado em celulares e tablets durante as férias escolares e dá dicas de limites.

O período de férias escolares costuma elevar o tempo que crianças e adolescentes passam conectados a celulares, tablets, computadores e televisores. Embora esses dispositivos façam parte do cotidiano moderno, a pediatra Amanda Mendes Spirlandeli alerta que o uso em excesso pode prejudicar o sono, diminuir a prática de exercícios físicos e impactar o desenvolvimento infantil.

De acordo com a especialista, entre as principais consequências estão distúrbios do sono, comportamento sedentário, déficit de atenção e aprendizado, além de fadiga visual, cefaleia e problemas posturais. “O excesso de telas também pode reduzir as interações familiares, as brincadeiras presenciais e as oportunidades de desenvolver habilidades sociais e emocionais”, reforça.

Bom uso
Para a pediatra ter controle sobre a qualidade do conteúdo é fundamental. “Mais importante do que apenas contar as horas que a criança passa em frente à tela é avaliar a qualidade do conteúdo, o equilíbrio com outras atividades e ter a presença de um adulto orientando o uso”, afirma.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que crianças menores de dois anos não tenham contato com telas, exceto em videochamadas com familiares. Entre dois e cinco anos, o limite é de até uma hora por dia, sempre com supervisão. Para crianças de seis a dez anos, a orientação é de uma a duas horas diárias, enquanto adolescentes entre 11 e 18 anos devem limitar esse tempo entre duas e três horas por dia, sem que isso substitua o sono ou a prática de atividades físicas.

Exemplo dos pais
Durante as férias, alguma flexibilização pode acontecer. Porém, a pediatra recomenda estabelecer horários para o uso dos dispositivos, evitar telas durante as refeições e suspendê-las pelo menos uma hora antes de dormir. Também é importante incentivar brincadeiras ao ar livre, leitura, jogos de tabuleiro, atividades artísticas e momentos em família.

“O exemplo dos adultos também faz diferença. Quando os pais equilibram o próprio uso de dispositivos eletrônicos e reservam momentos para atividades sem telas, as crianças tendem a aderir mais facilmente a hábitos saudáveis”, conclui.

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